Crítica | Streaming

As Passageiras

Tudo reaproveitado

(Adam Randall, GBR, EUA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Terror
  • Direção: Adam Randall
  • Roteiro: Brent Dillon
  • Elenco: Jorge Lendeborg Jr., Debby Ryan, Lucy Fry, Raúl Castillo, Alfie Allen, Marlene Forte, Ash Santos, Nandy Martin, Jaren Mitchell
  • Duração: 107 minutos

Em uma noite estilizada, o carro preto de Benny cruza a ruas com duas passageiras esquisitas, Zoe e Blaire. Basicamente, é isso o que acontece em As Passageiras, novo filme da Netflix, mas nem o diretor Adam Randall, responsável por filmes como À Espreita do Mal e iBoy, ou o espectador que dá o play atraído pela arte da divulgação ou pelo trailer estão interessados no básico. E se é ação, adrenalina e muito sangue que se procura, esse é o lugar certo para de parar. Só não pode ser muito exigente com o resto.

Conto moderno sobre vampiros, o roteiro de Brett Dillon faz uma salada de referências para contar a história de Victor, um vampiro que não aguenta mais seguir regras. E tem de tudo ali, desde de pacto ancestral com humanos de delimitação de território para que não haja conflito até as grandes famílias vampiras que se organizam como grupos mafiosos locais. Uma coisa meio John Wick visita os filmes de máfia/gangues dos anos 1990. E tem a história pessoal de Benny, claro, o protagonista, que no meio da ação, acaba em segundo plano. 

As Passageiras é frenético. O visual modernoso, que se aproxima muito da estética de HQs adultas, com a direção de fotografia Eben Bolter faz um jogo interessante e atraente de luzes e cores dessa noite insana. Aliás, toda a parte técnica do filme é muito precisa. É possível perceber o cuidado com os mínimos detalhes de cada um dos lugares visitados pela dupla de vampiras, da mais suntuosa festa à mais largada espelunca. Sem falar dos efeitos especiais. Esse conjunto faz o filme ter quadros bem únicos, como a tomada aérea do jardim vermelho.

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As Passageiras
Kat Marcinowski/Netflix

O êxtase com a estética cai bem com o ritmo frenético. De um começo que prenuncia essa agitação até a apresentação das duas personagens que servem como peça fundamental para que esta aconteça, o filme dá algum tempo para que o espectador se prepare, e isso não é ruim. Pelo contrário, estabelece uma acomodação cômica, determina o humor que pontuará o roteiro dali em diante. Jorge Lendeborg Jr. é divertido com sua falta de jeito e timidez e compensa o exagero de Lucy Fry muito, muito acima do tom. Esse desequilíbrio de atuações, aliás, percorre todo filme, que conta ainda no elenco com um bom Alfie Allen, uma funcional Debby Ryan e um fraco Raúl Castillo. 

Porém, é um filme divertido de se ver, que consegue deixar audiência curiosa pelos próximos acontecimentos por mais que vá prejudicando suas próprias motivações. O problema de As Passageiras é outro. Estranhamente, por mais que se identifique todo o potencial gráfico de criação e a habilidade na elaboração da tensão, do suspense e da ação, o filme não perde o jeito de produto reciclado. Ele é, muito evidentemente, como uma colcha de retalhos de vários outros títulos já vistos antes.

Nesse transitar de Benny e a dupla de vampiras pela noite, Randall leva muito a sério a máxima de que tudo já foi feito antes, mas não desrespeita suas referências. Pelo contrário, as trata com muito carinho. No final das contas, se a ideia é se divertir, a escolha é certa.

Um grande momento
Lanternas vermelhas 

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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