Críticas

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

(Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn, EUA, 2020)
Ação
Direção: Cathy Yan
Elenco: Margot Robbie, Rosie Perez, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell, Ewan McGregor, Ella Jay Basco, Chris Messina, Ali Wong, David Ury
Roteiro: Christina Hodson
Duração: 109 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

This is a man’s world” canta a Canário Negro na boate do maior mafioso de Gotham. A música cai como uma luva. Tudo ali é masculino: os bandidos, os policiais, os vilões e o herói, que aqui não aparece. Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa usa esse ambiente para encontrar o Girl Power tão escasso nesse mundo dos quadrinhos. O longa, dirigido por Cathy Yan e roteirizado por Christina Hodson, une a vilã ao grupo de vigilantes e tem como objetivo chacoalhar esse universo machista.

Quem conta a história é Arlequina. A maneira escolhida é aquela espertinha que pode não agradar todo mundo: narração e uma mescla de animação, flashbacks, fast foward, repetições e por aí vai. Yan não se acanha em usar elementos extras, como decalques na tela e letreiros de apresentação. Tudo é exagerado, como é exagerada a personalidade da protagonista.

No meio desse caos, a história de uma missão que justifica a união de todas as mulheres por um único objetivo. Assim, numa trama inusitada, mas coerente dentro de seu universo, surgem as Aves de Rapina, aqui – com Canário e Caçadora – mais próximas da terceira geração, criada por Gail Simone, e com uma participação de Renee Montoya antes de ela assumir a identidade de Questão.

Há um excesso inegável e uma vontade de experimentar tudo o que está à disposição, o que acaba deixando o filme inchado demais. Muita coisa parece deslocada, mas alguns momentos podem ser desculpados pela carga afetiva que trazem, como a referência a Marilyn ou a homenagem ao primeiro a levar a franquia aos cinemas, com a Mansão Assombrada.

Por falar nisso, é lá que acontecem as melhores sequências de lutas. E Yan tem uma preocupação especial com essa parte, com coreografias elaboradas e uma pegada frenética. Bem ao estilo dos antigos filmes de herói. No meio de toda essa profusão de estilo gráfico e luta, porém, acaba faltando espaço para desenvolver melhor alguns aspectos da trama, algumas pontas ficam soltas e personagens importantes não encontram a atenção merecida.

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa está longe de ser perfeito, tem muita coisa fora do lugar, mas consegue ser bem melhor do que o desastre que foi Esquadrão Suicida. Não que fosse uma tarefa difícil. Um filme que tem os seus bons momentos. Agora tem que ver como será a recepção. Assim como Gotham, o cinema também é terra de homens, e duas mulheres ao terem a ousadia de escrever e dirigir um filme num universo tão cheio de testosterona como o dos quadrinhos podem encontrar uma resistência que talvez vá muito além do que está na tela. This is a man’s world afinal.

Um Grande Momento:
Rindo de como os vilões contam seus planos.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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