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Batman Vs Superman: A Origem da Justiça

(Batman v Superman: Dawn of Justice, EUA, 2016)

Ação
Direção: Zack Snyder
Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly Hunter, Gal Gadot, Jeffrey Dean Morgan, Lauren Cohan
Roteiro: David S. Goyer, Chris Terrio
Duração: 151 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Depois do bom trabalho em O Homem de Aço (2013), que pode ser considerado a retomada das adaptações de Superman para as telas, o diretor Zack Snyder dá sequência aos fatos que abalaram a cidade de Metrópolis com a invasão da Terra pelo general Zod. Batman vs Superman: A Origem da Justiça inicia a saga da DC Comics com seus heróis e vilões.

Muitos eram os desafios, e maiores ainda as responsabilidades. Partindo de um improvável confronto entre o Homem Morcego e o herói de Krypton, tal embate gerou muitas expectativas e também desconfianças entre os fãs. Mesmo assim os produtores não se intimidaram em revelar muitos dos fatos da história já nos primeiros trailers, confiando na força dos personagens e na trama que se desenvolve em meio a muita pancadaria.

Quanto às responsabilidades citadas acima, talvez a maior delas seja a presença de Batman num novo contexto, diferente daquele dos filmes de Tim Burton, interpretado por Michael Keaton; e bem menos polido de ideais e senso de justiça que o Batman vivido por Christian Bale na trilogia de Christopher Nolan.

Aqui vemos o Homem Morcego mais próximo da versão de Frank Miller em seu O Cavaleiro das Trevas. Neste ponto é até surpreendente a interpretação de Ben Affleck, que dá conta do recado e interpreta o personagem com força, ira e sem qualquer aura pura que o pudesse deixar caricato. Pode-se dizer, um Batman mais humano, irremediavelmente humano, ou apenas cansado da luta incessante contra o crime. E, talvez por isso, mais brutal e violento.

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Do outro lado, Henry Cavill, que já foi apelidado de o ator mais desafortunado de Hollywood por perder papéis como Batman Begins para Christian Bale, James Bond para Daniel Craig e o próprio Superman na desastrosa versão de Brian Singer, tem agora o seu momento frente as telas e a definição de seu espaço como “dono” dessa nova versão do personagem.

No entanto, o roteiro pouco explora os conflitos de Clark/Superman. Mesmo diante de sua hegemonia como herói contestada, a atuação de Cavill é mais plana, branda, mas não atrapalha o andamento na história, pois é justamente a presença forte do personagem, numa quase onisciência e onipresença, que dispensa gestos mais expressivos ou marcantes.

Ao dizer que os produtores confiaram o sucesso do longa na força dos personagens, é preciso ressaltar que o núcleo de toda essa história, gira em torno do conflito de interesses entre Batman, Superman e Lex Luthor. Há quem diga que os vilões da DC são “melhores” do que os da outra casa de quadrinhos, a Marvel. Não melhores em índole, mas em profundidade de personalidades, conflitos e motivações.

Mas como fazer o vilão Lex Luthor, que já foi interpretado brilhantemente por Gene Hackman e por Kevin Space (ainda que com menos destaque) ter novamente força nas telas? A resposta talvez seja a ousadia de convocar o jovem ator Jesse Eisenberg, que interpretou Mark Zuckerberg em A Rede Social. Lex Luthor aparece como um jovem prodígio da tecnologia com sérios problemas de ego e sem escrúpulos para atingir seus objetivos.

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Há de se notar ainda alguma semelhança entre os personagens vividos pelo ator, mesmo um sendo apenas da ficção e o outro do mundo real. Com trejeitos bastante parecido com seu trabalho anterior, Eisenberg constrói sua interpretação entre a loucura e a genialidade do personagem, o lado cômico de Lex Luthor fica menos em evidência para dar mais lugar ao seu cinismo que por sua vez esconde toda a maldade de seus planos.

Por tanto a trama de Batman Vs Superman, baseia-se nessa tríade de conflitos e interesses, e traz esses personagens para um mundo mais atual e “realista”, onde, independente de suas intenções ou poderes, cada um deve responder pelos seus atos. Há o mal, há o lado que quer a justiça a qualquer preço e há o “bem supremo” que detém todo o poder de ação. Como equilibrar tais forças? Essa é uma das leituras que podem estar em um mundo cada vez mais politizado e entre guerras e interesses distintos.

Completando a lista de personagens e elenco, um time bastante competente reforça a produção com personagens secundários, Amy Adams como Lois Lane, Diane Lane como Martha Kent, Laurence Fishburne como Perry White, Holly Hunter como a Senadora Finch e Jeremy Irons em uma releitura menos pacifica de Alfred. Apontada como grande destaque e causadora de aplausos nas primeiras sessões de exibição do longa, Gal Gadot é a Mulher-Maravilha/Diana Prince. Embora seu tempo em cena seja menor do que dos outros, sua presença é sempre marcante, seja nos ligeiros momentos em que aparece como a misteriosa Diana ou quando participa das cenas de ação.

O roteiro de Chris Terrio e David S. Goyer é ágil e dinâmico, e não se prende a velhas explicações, origens e introduções. É, sem dúvida, uma decisão acertada que colabora com outro ponto bastante forte do longa: as cenas de ação. Embora a pancadaria e explosões sejam catastróficas, as cenas são muito bem montadas, consegue-se perceber o que acontece em cada momento dando o devido espaço e atenção que cada personagem merece.

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Acostumado ao uso constante de cores e luzes fortes, e muitos efeitos especiais, Snyder conta com Larry Fong (300 e Watchmen: O Filme) responsável pela fotografia e o designer de produção Patrick Tatopoulos (300: A Ascensão do Império). A trilha sonora é do compositor vencedor do Oscar Hans Zimmer (O Rei Leão) e Junkie XL (Mad Max: Estrada da Fúria) e aqui não passa despercebida, acentuando desde as grandes batalhas aos momentos mais simples, e mantendo a tensão constante durante as quase três horas de filme, que passam ligeiras.

Partindo de um caminho inverso do que foi a construção de Os Vingadores pela Marvel, onde os personagens foram apresentados separadamente para depois formar a equipe, Zack Snyder apresenta a origem da Liga da Justiça usando o que há de mais forte nesse contexto e, sem desperdiçar esforços, torna tudo superlativo: feitos grandiosos, acontecimentos catastróficos que trazem de volta a força dos primeiros heróis que se tem notícia.

Nessa toada, as próximas produções com personagens da DC Comics, ganham, desde já, tanto mais intensidade quanto mais responsabilidades. Resta saber se terá o mesmo fôlego.

Um Grande Momento:
Aparição da Mulher Maravilha.

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Links

IMDb [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=SpWJhg_MByQ[/youtube]

Ygor Moretti

Ygor Moretti Fioranti, paulista nascido em 1980 e formado em Letras, trabalha como designer gráfico. É poeta esporádico, contista por insistência... Santista, cinéfilo, rato de livrarias, sebos e bancas de jornal. Assisti e lê de tudo, de cinema europeu a Simpsons; de Calvin e Haroldo a Joseph Conrad. Mantém o blog Moviemento e colabora na sessão de cult movies com O Cinemista.

6 Comentários

  1. Eu também preciso ir constantemente ao oftalmo, mas eu tenho problema mesmo rs, o oculos 3D da sessão era bem grande o que ajudava numa visão mais periférica da tela, mas pesava sobre o outro óculos (de grau) rss. Falando sobre o filme, eu gosto dessa coisa mais escura, ao contrário dos heróis dos desenhos da liga da justiça super coloridos e bonzinhos. Mas lembro de um dos meus episódios favoritos do desenho a liga da justiça, que é justamente um “Batman vs Superman”, na verdade eles viajam no tempo e vão para no reino do Rei Arthur, algo assim e o Superman perde a memória e fica do lado dos vilões, tem uma cena de duelo entre os Batman e Superman, por mais viagem que pareça o porque da luta ali e fim dela está melhor construído rsssss Obrigado Pelo comentario Ismael!!!

  2. Batman sempre foi o meu herói favorito, Ismael. Mas o universo DC nunca fez a minha cabeça (a não ser quando criança com os desenhos da Liga da Justiça, que eu adorava). E essa cena do Renegade, sinceramente, né? Vergonhosa até. Hehehehe.

  3. Não entendo gente aplaudindo filme em cabine de imprensa. Hehehehe. Mas acho o filme todo bastante mal trabalhado. Não gosto do roteiro de jeito nenhum, mesmo tendo ido de coração completamente aberto.
    Estou entre aqueles que esperam que as coisas melhorem muito para a Liga da Justiça, já que ela fez parte da minha infância.

  4. Gente, eu saí do cinema com um unico objetivo: Ir ao oculista. Assisti em uma sala cinemark mas não deu. Acho que vou ter que ver o filme quinze vezes para satisfazer a vontade de fã de ver o batmóvel, batwing,. (Mas o jeep renegade ficou bem claro) ; O filme todo é muito escuro. Cheguei a dormir. Mas tenho fé nos próximos filmes. Os atores estão muito bem (fora o jeromy irons) e o universo DC é formidável. Espero realmente uma melhora no próximo pois meu exame de vista deu zero. rs.

  5. Pois é, apesar de ter gostado do filme, me incomodou a forma como resolveram a “grande batalha” e colocaram os heróis do mesmo lado. por outro lado gostei do fato de ser mais direto, sem aquelas introduções dos personagens etc. Já chegamos num contexto onde a guerra já estava armada, já tinha acontecido em parte. Outro ponto positivo foi que diferente dos Vingadores, a ação fica bem direcionada, não só por ser menos personagens mas acho que foi melhor construída mesmo. Não fica com a sensação de não conseguir captar tudo o que acontece… Enfim rsss gostei a galera no cinema aplaudiu diversas cenas rsss não fui um desses mas o filme teve picos de verdadeira empolgação…

  6. Nossa, Ygor! Dessa vez eu discordei completamente de você.
    Até comecei gostando do filme, vendo alguma coisa de interessante nas metáforas estilizadas de Snyder, mas aí a coisa se perde completamente.
    Tentei de verdade relevar as falhas do roteiro, a construção porca do arco do Batman (meu personagem de HQ preferido de toda a vida), reviravoltas rápidas demais e excessos visuais, além daquela apresentação por e-mail que dispensa comentários, mas cheguei a um ponto que não foi mais possível.
    Claro que gosto de algumas coisas, como do Lex Luthor com um transtorno psicótico mais evidente e de cenas específicas (principalmente no começo do filme), mas, no geral, foi uma decepção. 5/10
    Uma pena, porque queria mesmo gostar do filme.

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