Crítica | VoDDestaque

Canções de Amor

(Daffodils, NZL, 2019)

  • Gênero: Musical
  • Direção: David Stubbs
  • Roteiro: Rochelle Bright
  • Elenco: Rose McIver, George Mason, Kimbra, Fen Ikner, Stephanie Brown, Tola Newbery, Ben Childs
  • Duração: 93 minutos
  • Nota:

Em Canções de Amor, Maisie (Kimbra) está com o pai Eric (George Mason) à beira da morte em um hospital. Nestes seus últimos momentos, o pai conta à filha segredos até então desconhecidos de seu passado. Assim, logo nos primeiros minutos de filme, Maisie lança as seguintes indagações:

“Você conhece bem os seus pais?”
“Será que minha mãe percebeu o quão pouco ela o conhecia?”

Com uma introdução dessa a expectativa era um filme reflexivo, com uma trama de segredos e conflitos. Mas o que se segue na próxima uma hora está mais para uma versão neozelandesa, e bem inferior, de Grease.

Canções de Amor (2019)

Acompanhamos a história de Eric e Rose (Rose McIver) desde quando se conheceram no final dos anos 1960, tudo um pouco açucarado e clichê, ao som de uma seleção de músicas kiwi (neozelandesas) de sucesso.

As músicas cantadas nesse filme são “baseadas numa seleção que crescemos escutando”, como informado no início do filme. Ou seja, não compostas para o filme. Interessante proposta, mas que não funcionou tão bem. Algumas canções até casam com a história, e dão bom ritmo à narrativa (como “No depression in New Zealand”). Outras só estão ali para categorizar o filme como musical e acabam por confundir o espectador, misturando diálogos e cantorias numa montagem não tão eficiente, uma delas numa cena chave do casal.

Canções de Amor (2019)

Os personagens são bem unidimensionais e suas questões não tão exploradas à profundidade necessária para nos preparar para conflitos apresentados mais à frente. Não fica muito delineado, por exemplo, o caráter do pai de Eric e sua relação turbulenta com o filho. Além disso, o roteiro insere sequências clichês como aquela em que o casal brigado se esbarra casualmente e troca olhares ainda apaixonados atravessando uma rua.

Apenas no terço final do filme nos deparamos com o segredo escondido por Eric, o qual até consegue nos despertar certa angústia pelo personagem e maior interesse na história. Mas a condução e desfecho acabam deixando a desejar. Talvez seja fiel demais à história real em que foi inspirado. Assim, Canções de Amor não passa de um romance musical Sessão da Tarde.

Um grande momento
Uma ligação no meio da noite.

Ver “Canções de Amor” em Cinema Virtual

Danielle Alvarenga

Danielle Alvarenga é das artes. Designer de formação e fotógrafa por paixão. Cinéfila e viajante de carteirinha. Tem cursos na área de crítica e linguagem cinematográfica, no escurinho do cinema ou na poltrona de casa encara toda e qualquer produção da sétima arte.
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