Crítica | Festival

Capitão Astúcia

(Capitão Astúcia, BRA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Aventura
  • Direção: Filipe Gontijo
  • Roteiro: Eduardo Gomes, Filipe Gontijo
  • Elenco: Paulo Verlings, Fernando Teixeira, Nívea Maria, André Amaro, Gleide Firmino, André Deca, Andrade Júnior, Lauro Montana
  • Duração: 90 minutos

Santiago é uma daquelas pessoas que não quer estar, na verdade, quase mal quer ser. Encolhido na cadeira do aeroporto é a imagem dos que se sentem incomodados por ter sua existência percebida pelos outros, algo que acontece muito mais com ele do que com os outros, aliás. “Ei, você não é aquele…” Embora seja um adulto comum, Santiago ficou famoso como Kid Pianino, pianista infantil virtuoso e estava prestes a encarar um desses retornos, para alegria do pai dele,  quando um evento muda o rumo de tudo.

Detido após tentar embarcar em um voo para Tóquio, Santiago conta ao espectador sua história e a do inusitado Capitão Astúcia. O filme de Felipe Gontijo parte em uma deliciosa aventura infantojuvenil que, salteada com linguagem de quadrinhos e trazendo elementos do cinema de super-heróis, fala de família, frustrações, decepções, mas também da vontade de viver e deixar a sua marca no mundo. No centro de tudo estão avô e neto, aquele que dá nome ao filme e o ex-pianista mirim virtuoso agora convertido em fiel escudeiro. A ameaça iminente: Akira, um tocador de harpa laser que ameaça a humanidade.

Capitão Astúcia
Filipe Gontijo/Cortesia Festival de Brasília

A dupla expõe a contraposição entre duas personalidades, introversão e extroversão, a sensação de estar sempre tendo que atender às expectativas dos outros e a liberdade de fazer aquilo que se quer, inexperiência e vivência, medo e ousadia. A fala é o ponto que se destaca na narrativa. Seja no fato de tudo ter origem na história de um letrista de quadrinhos ou na própria comunicabilidade. Há o que se conta e atrai a atenção de todos na sala de detenção — e de cinema também — e o que Santiago não consegue dizer àqueles que são mais próximos mesmo que tenha muita vontade.

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A jornada de descoberta e conexão em Capitão Astúcia é singela e conquista pela simplicidade. Embora seu conteúdo tenha uma certa elaboração, em especial no passeio entre universos, a fórmula de Gontijo é despretensiosa. Suas investidas gráficas são pontuais e vêm acompanhadas de uma artesania gostosa de se acompanhar, com uma direção de arte colorida de Lia Renha que é de encher os olhos. Personagens cheios de carisma, e aqui podemos falar também das atuações de Paulo Verlings como Santiago e Fernando Teixeira como o super-herói, completam o combo.

Desconectados em um mundo onde tudo é tão insignificante e aquilo que é bonito tem tão pouco valor, a leveza de Capitão Astúcia chega cai bem. E para além de suas cores e aventuras entre realidades, traz a seu público questões pertinentes e que, embora devessem, não são tão óbvias assim. Isso, sem nunca deixar de fazer sorrir.

Um grande momento
Ficando na história

[55º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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