(Cocote, ARG/ALE/QAT/DOM, 2017)
Drama
Direção: Nelson Carlo de Los Santos Arias
Elenco: Vicente Santos, Yuberbi de la Rosa, Judith Rodriguez Perez, Pepe Sierra, Isabel Spencer
Roteiro: Nelson Carlo de Los Santos Arias
Duração: 106 min.
Nota: 10 ★★★★★★★★★★

O experimentalismo e a mistura firmam a maneira de se apresentar de Cocote. A forma é mais um meio de atingir o conteúdo complexo, que envolve o resgate identitário em locais onde a dominação colonial e posteriormente religiosa moldou a sociedade.

Em Santo Domingo, um homem evangélico, Alberto, trabalha como jardineiro em uma mansão. Ao saber do assassinato de seu pai, precisa voltar à antiga vila para cumprir os rituais fúnebres. Além de encontrar aquilo que já não mais faz sentido para ele, em sua nova fé, Alberto reluta contra a ideia de suas familiares de que ele precisa vingar a morte do pai.

Como numa colagem, Nelson Carlo de Los Santos Arias vai somando experiências visuais e sonoras para reconstruir a jornada interior de seu protagonista em uma espécie de thriller observacional de vingança. Mesmo que não acerte sempre e escorregue na literalidade em algumas passagens, o conjunto é tão impressionante e catártico, que deslizes simplesmente deixam de chamar a atenção.

Entre histeria e silêncios, há uma sobreposição de furtos culturais que desconstroem e reconstroem tradições. De origem, aquilo que de certo modo se invalida agora, já havia sido criado para tentar recordar e manter outras tradições que passaram por outros processos de invalidação. A história, principalmente nas antigas colônias latino-americanas, demonstra que não há meio mais eficaz – e cruel – de dominação do que o da desconstrução da identidade.

Tomando como base a recente popularidade das religiões cristãs neopentecostais, Cocote vai ainda além do simples retorno e fala da possibilidade de se voltar a um lugar onde não é possível se reconhecer. Há métodos que não fazem mais sentido, mas a força que busca o resgate não deixa de existir, por mais interiorizada/catequizada que esteja.

O filme, obviamente, busca extremos, mas, ao assentar, traz a reflexão sobre como um novo processo é capaz de expor, à perfeição, as marcas deixadas pela colonização, ao repeti-la em busca de uma nova “desidentificação” com os mesmos fins de sempre.

Um Grande Momento:
A conversa com a pastora.

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