Com céu limpo, muito calor durante os dias e o característico friozinho no cair na noite, a cidade histórica de Tiradentes se entregou ontem à noite à 20ª Mostra de Tiradentes. Evento de abertura do calendário de festivais de cinema, a mostra abre espaço para o que há de mais ousado na produção nacional, privilegiando filmes que inovem em linguagem e em conteúdo e discussões sobre o audiovisual.

Em 2017, ao completar 20 anos de existência, a Mostra de Tiradentes traz uma seleção curiosa e, em um momento político de estagnação e incerteza, tem como fio condutor de sua programação o cinema em reação, em reinvenção. A questão da representatividade da mulher também é um dos pontos de destaque da edição.

A inovação do olhar do cinema vem bem representada na Mostra Aurora, que completa uma década de existência e se firma como uma das principais vitrines de novos talentos. A seleção privilegia diretores que tenham até três longas na filmografia. Juliana Antunes, Thiago B. Mendonça, Renan Rovida, Fernanda Pessoa, Leo Pyrata, Pedro Rocha, Luiz Felipe Fernandes e Alexandre Baxter são os nomes selecionados para este ano.

Presença feminina

Impossível não notar que boa parte da programação destina-se a confirmar a presença feminina no audiovisual brasileiro. As homenageadas do ano são Helena Ignez e Leandra Leal, ambas atrizes, diretoras e produtoras. Após um filme especial do Canal Brasil, na noite de ontem, as duas receberam o troféu barroco, Leandra das mãos da mãe, Ângela Leal, e Helena das filhas Djin e Sinai Sganzerla.

Após a homenagem, houve a exibição do documentário Divinas Divas, dirigido por Leandra Leal, e que conta a história da montagem de um show com as mais conhecidas travestis cariocas para comemorar o aniversário do teatro do avô da atriz.

Uma maior presença feminina no júri e na seleção chamam a atenção, assim como a dedicação da programação em tratar a questão. Há lugar para filmes que abrem espaço para o posicionamento feminino enquanto denúncia e até para uma mesa especial que debaterá a presença na crítica brasileira.

Com o tema As Mulheres na Crítica: Cenário Brasileiro, o bate-papo marcado para a tarde de segunda-feira, contará com a presença das críticas Camila Vieira, Flávia Guerra e Ivonete Pinto, e marca a primeira aparição pública do coletivo Elviras, um movimento organizado que mapeia mulheres que exercem a crítica e pensam o cinema no Brasil.

Programação variada

A Mostra de Tiradentes vai além da exibição de filmes e de discussões sobre cinema. Até o dia 28, a cidade se transforma no palco das artes, entre elas teatro, música, videoarte e lançamentos de livros. Com uma programação variada e toda gratuita, o público vai viver a arte e o cinema intensamente.

***
A Mostra de Tiradentes acontece de 20 a 28 de janeiro na cidade histórica, localizada a 180km de BH. A programação cultural abrangente é gratuita e reúne todas as manifestações da arte em três espaços de exibição: o Cine-Praça, o Cine-Tenda e o Cine-Teatro, no Centro Cultural Sesi Yves Alves