(Dias Vazios, BRA, 2018)
Drama
Direção: Robney Bruno Almeida
Elenco: Carla Ribas, Arthur Ávila, Vinícius Queiroz, Natália Dantas, Nayara Tavares
Roteiro: André de Leones (livro), Robney Bruno Almeida
Duração: 104 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

A melancolia é um sentimento comum aos adolescentes e este é o mote do longa-metragem Dias Vazios, do diretor Robney Bruno Almeida. No filme, um jovem conta, em um livro, a história de um outro jovem morador da mesma cidade, que cometeu o suicídio. O ponto que une as duas histórias é a inadequação com o espaço físico. São dois adolescentes, no fim de sua vida escolar, que se sentem incoerentes naquele lugar onde a vida parece não acontecer, não evoluir, e que não têm qualquer esperança de que isso mude.

Dividido em três capítulos, o filme apoia-se no jogo narrativo, onde a história de Jean e Fabiana é parte do livro escrito por Daniel e lido por sua namorada Alanis. A opção, interessante na ideia, acaba evidente demais e esta hiper percepção causa um certo distanciamento do filme. Assim como a obviedade de algumas composições visuais, como a explicitação visual da depressão de Jean.

Porém, há um interesse natural que a história contada e a questão da melancolia juvenil despertam e há muitos acertos no modo como o roteiro consegue alcançar o linguajar e o imaginário adolescente, seja na representação do cotidiano dos personagens, seja na própria composição daquele sentimento tão identificável desta fase da vida.

Ao quebrar a resistência inicial, o estabelecimento deste novo código faz com que até mesmo os momentos incômodos de estranhamento do começo do longa se transformem, considerando-se aquela nova percepção de que tudo que se vê foi criado por um autor adolescente. A sobre-criação que se identifica ao longo do filme, faz com que ele consiga se ressignificar e se transformar em algo mais interessante.

O que segue muito bem em seus dois primeiros capítulos, porém, começa a tropeçar em sua terceira parte. Ao abandonar a história contada para focar no que há de mais exterior a ela, aquilo que está além da criação do livro sobre Jean e Fabiana, talvez numa tentativa de homenagear o autor da obra que inspirou o filme, há uma ruptura narrativa. Ruptura explícita, inclusive, em um fade que – em montagem alternativa – poderia encerrar o longa e deixa a sensação de prolongamento ineficiente que acompanha o resto do filme. A homenagem ainda se torna mais clara com uma cartela que termina de arrancar o espectador da experiência em que estava imerso.

Mesmo com seus tropeços, Dias Vazios é um filme que tem bastante potencial de alcançar o público juvenil. Público este que, com algumas exceções, está sempre sujeito a uma produção internacional pasteurizada, mas começa a encontrar representações eficientes no cinema brasileiro. E é curioso ver como o cinema goiano começa a despontar, mostrando, além de muita vontade de fazer, maturidade.

Um Grande Momento:
As conversas com a freira.