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Disque M para Matar

(Dial M for Murder, EUA, 1954)

Suspense

Direção
: Alfred Hitchcock

Elenco: Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, John Williams, Anthony Dawson

Roteiro: Frederick Knott

Duração: 105 min.

Minha nota: 8/10

Hitchcock é gênio! Não há como duvidar desta afirmação.

Ontem à noite resolvei rever o filme Disque M para Matar que meu irmão me deu de presente de aniversário. Apesar de não ser o meu favorito na filmografia do diretor inglês, o filme é daqueles que envolve o seu espectador e, tão bem cuidado, consegue provocar reações mesmo depois de visto várias vezes.

Tony Wendice (Ray Millard) faz um acordo com Charles Swann (Anthony Dawson), antigo colega de faculdade, para eliminar a esposa infiel Margot (Grace Kelly) e assim ficar com sua herança. Depois de arquitetar um plano perfeito, Tony conta até com a participação de Mark Halliday (Robert Cummings), amante da bela esposa.

Como em outros filmes, a primeira providência é criar um laço entre o espectador e o personagem. Logo de cara vemos Margot e Mark juntos e falando do marido que chegaria algum momentos depois. Quando eles saem, Tony, claramente fazendo algo errado, liga para Charles, que vai até lá encontá-lo e receber a tal proposta nefasta.

O sentimento é confuso. A beleza de Grace Kelly e a paixão de sua personagem falam a favor dela, mas a traição não. Do outro lado temos um marido traído, mas que já sabendo da história há muito tempo, demonstra que mantém a relação mais por motivos financeiros do que por amor. Com esse jogo de culpa e justificativa, acabamos nos envolvendo com a estranha trama. Mas é saber o que acontece nos próximos minutos que nos prende mesmo na frente da tela.

O cuidado usual com a composição dos quadros, um roteiro bem amarrado, a movimentação dos personagens e o desempenho dos atores faz com que seja fácil reconhecer a assinatura de Hitchcock. A desenvoltura ao trabalhar em um único lugar, no caso, o apartamento do casal Wendice, fazendo várias experiências de câmera, também é outra marca do diretor.

Mesmo com momentos brilhantes, muito suspense e um bom enredo, o filme perde um pouco de seu brilho no final. Mas, claro, nada que seja tão grave assim.

Sem nenhuma dúvida, merece ser assistido. Para aqueles que querem conhecer melhor o trabalho do diretor inglês ou que gostam de suspense, é imperdível!

Em 1998 o diretor Andrew Davis (O Fugitivo) resolveu fazer uma versão do filme com Michael Douglas, Gwyneth Paltrow e Viggo Mortensen. Claro que não prestou.

Um Grande Momento

Quando Margot, com a mão, quase chama o espectador para salvá-la.

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

BAFTA: Atriz Estrangeira (Grace Kelly)

Links

 

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

Um Comentário

  1. Oi, gente!

    Robson – Nossa! Acho que você vai adorar. Pega Psicose…

    Red Dust – Ah sim! Tem outros bem melhores, mas é fundamental, como você disse!

    Pedrita – É mesmo! Dos mais importantes do cinema.

    Jeniss – Espero que você goste!

    Gema – Não é mesmo um dos filmes mais assistidos dele, mas sempre vale a pena, né?

    Alex – Terríveis? Ah, não acho não. Não é maravilhoso, mas não é ruim. Nossa, eu acho o original muito melhor!

    Beijocas a todos!

  2. Cecília, estava concordando com você, mas particularmente não me identifiquei com os seus últimos parágrafos. Primeiro por achar os minutos finais terríveis, especialmente pela teatralidade da história, a direção e toda a previsibilidade que se concentra ali. A outra é que gosto muito mais da versão de Andrew Davis do que essa de Hitchcock. No final das contas acho “Disque M Para Matar” um filme razoável e só.

  3. esse ainda esta incluso em minha “Lista da Vergonha”. espero ter oportunidade de ve-lo o quanto antes. abraços, moça. :)

  4. Concordo com a tua nota, Cecilia. Não é o meu preferido do grande mestre, mas é uma referência incontornável na sua obra.

    Beijinho.

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