Crítica | StreamingFestival de Gramado

Em Teu Nome

(Em Teu Nome, BRA, 2009)

O número de filmes nacionais produzidos sobre o período da ditadura militar cresce a cada dia que passa. É um modo de lembrar às pessoas que aquilo aconteceu no Brasil, mas nem sempre funciona como deveria.

Baseado na vida de um estudante João Carlos Bona Garcia, exilado durante o regime e um dos principais nomes na luta pela anistia, o filme não consegue se definir entre filme de guerrilha e filme de exílio, ainda que apoiado em uma bela história.

Além das já conhecidas imagens de tortura, que filmes com essa temática adoram repetir, as viagens de Bona, ou no filme Boni, por vários cantos do mundo também são mostradas em detalhes aos espectadores. A opção parece ainda mais equivocada quando vemos que as locações não refletem, nem de perto, a efervescência de locais como o Chile durante o turbulento e violento golpe de Pinochet.

As atuações são contidas e é difícil criar um vínculo entre todas as ações que vemos na tela. A sensação é de que tem gente demais para se conectar, ainda que não tenha.

No elenco nomes como Leonardo Machado, que já trabalhara com o diretor Paulo Nascimento em Valsa para Bruno Stein e dá vida a Boni; Marcos Paulo, como o truculento delegado PS; Julia Feldens, que vive o papel de sua própria mãe, a irmã de Bona na vida real; César Troncoso e Sílvia Buarque.

Tecnicamente, a direção de arte de Voltaire Danckeardt é correta ao retratar a década de 70 e a fotografia de Roberto Laguna é interessante, embora não seja muito ousada. Já a trilha sonora ficou bem prejudicada pela repetição e acabou deixando o espectador mais ansioso pela chegada da anistia.

Embora tenha problemas, o filme emociona o público com imagens como a do verdadeiro Bona e de sua esposa Celi ao final.

É só mais um filme sobre ditadura militar, ou tenta ser. Ainda que não consiga ir muito além da história de amor do casal Boni e Celi.

Um Grande MomentoBida e Célia.Em-teu-nome_poster


Drama
Direção: Paulo Nascimento
Elenco: Leonardo Machado, Fernanda Moro, Nelson Diniz, César Troncoso, Marcos Paulo, Julia Feldens, Sílvia Buarque, Marcos Verza, Gilberto Perin, Sirmar Antunes, Rafael Sieg
Roteiro: Paulo Nascimento
Duração: 100 min.
Minha nota: 5/10

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

5 Comentários

  1. @ana paula, falta de inteligência seria mesmo expor uma opinião negativa sobre um filme ou execrar quem não concorda com ela, como você fez? Pensei ser esse espaço destinado à crítica de filmes, e não à ofensas pessoais como você fez. O filme é o oposto do que eu falei na sua opinião, minha querida, pois na minha e na de tantas outras pessoas que não gostaram a opinião é exatamente como descrevi. Acho que quem não tem capacidade de expressar a opinião sobre o filme é você, que definitivamente não o fez, sua capacidade é de denegrir os outros utilizando o anonimato da internet como arma. Nunca ouvi a expressão ‘psicólogo de porta de cadeia’, em que mundo você vive mesmo? E o que é DESACREDIDATA, poderia me explicar? Pouco me importa seu estado de origem, essa é uma informação que definitivamente não influi em nada na minha vida. Se você achou o filme sensível, parabéns pra você, minha opinião é contrária, e eu lamento pela sua sanidade mental se você não é capaz de aceitar opiniões divergentes. A atriz que interpreta a Cecília é péssima sim e não tenho problemas pessoais com ninguém, isso deve ser especialidade sua. Nem malhação assisto, mas você, com sua cultura de grandes horizontes, deve ser espectadora assídua, para saber a qualidade do elenco. Como você é limitada, hein? Saiba utilizar os espaços abertos para nós, internautas, da forma devida, deixe a preguiça e a incapacidade de lado, e aprenda a criticar os filmes. Este espaço não é reservado para ataques pessoais, portanto, quando enviar suas baixarias para mim, não haverá mais resposta. Lamento pelo seu lado tão sensível, melhoras pra você.

  2. @Sylvia Lopes, Silvia, vc é uma pessoa que demonstra falta de inteligência em cada palavra que escreve. Digo isso porque vi esse filme e, independente de ser exatamente o oposto do que vc escreveu, vc não teve a capacidade de saber expressar a sua contrariedade com o filme (e isso é normal, ninguém é obrigado a gostar de tudo) com um mínimo de independência. Não sei e não quero saber, mas qualquer psicólogo de porta de cadeia percebe que vc tem problemas ou com o tema, ou com alguém do elenco ou com o que for. Se vc não gosta de um filme minha cara, analise tudo, diga o que não gosta, mas não destile veneno que só transforma vc em alguém desacredidata. Não sou gaúcha, não sou fã de cinema gaúcho, não viví os anos 70, mas finalmente fizeram um filme com sensibilidade sobre este período. O elenco? Graças a Deus não botaram as velhas caras! “Péssima”, vc chamou a menina que faz a Cecília??? Por favor!! Vc deve ter problemas pessoais com ela para dizer isso! Vc quer alguém de malhação fazendo o papel da Cecília?? Abra seus horizontes.
    Ana Paula

  3. Em mais um filme que possui as agruras da ditadura como tema, esse peca pelo amadorismo, baixo orçamento, que juntamente com a fraca direção fez dele um filme pobre, com elenco ruim e roteiro fraco. Tudo nessa trama acontece de forma muito rápida e superficial. Só o protagonista é capaz de proporcionar alguns bons momentos, pois até as minisséries globais possuem maior qualidade que isso aqui. Há bastante tensão, mas ação que é bom não há quase nenhuma. A trilha sonora é terrível, de machucar os tímpanos de tão ruim. Em alguns momentos dá p/ imaginar que é um filme regionalista, tal o clima gaúcho em que ele se desenvolve. Os diálogos são carentes de criatividade. Sílvia Buarque, que nunca foi uma grande atriz, está mais superficial do que nunca, mesmo com sua pequena participação. De que teatro amador tiraram a atriz Fernanda Moro, que interpreta Cecília, a mulher do protagonista? Ela é péssima, com sua interpretação forçada e voz insuportável, a falsidade em pessoa. Enfim, um filme fraco, mas que não deixa de dar a sua mensagem de tristeza, sofrimento, dor, por uma causa da qual não valeu a pena se sacrificar. A qualidade técnica do filme é sofrível. O final emociona. Se fosse patrocinado por um grande estúdio, se tivesse ocorrido uma seleção melhor do elenco e algum outro nome para a direção, poderia ser um filme inesquecível. Não foi o caso!

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