Crítica | Festival

Gigante

(Gigante, URU, ARG, ALE, ESP, 2009)
Nota  
  • Gênero: Drama
  • Direção: Adrián Biniez
  • Roteiro: Adrián Biniez
  • Elenco: Horacio Camandule, Leonor Svarcas, Fernando Alonso, Diego Artucio, Ariel Caldarelli, Andrés Gallo, Federico Garcia
  • Duração: 84 minutos

Quem pensa que heavy metal e perseguições não têm nada a ver com amor precisa conhecer Gigante, filme uruguaio vencedor em Berlim e que estréia no próximo dia 21 nos cinemas brasileiros.

Apoiado basicamente na força de seu personagem principal, o grandão Jara, o primeiro longa do diretor Adrián Biniez conta a história de um tímido amor que nasce, arrebatador, pela telas de um monitor de vigilância.

Biniez, ex-integrante de uma banda de música indie, não poupa nas referências musicais “pesadas”. Elas vão desde o primeiro susto, nos créditos iniciais, até pequenos detalhes, como a roupa do protagonista ou a coleção de adesivos na porta do armário.

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Gigante (2009)

Com uma linguagem que oscila entre quadros mais afastados, batidos, e quadros mais poéticos, envolventes, a contradição é uma constante. Jara é grandão e tem cara de mau, mas ajuda os que precisam, se preocupa com os feridos de uma briga e brinca de espadachim com o sobrinho. Até mesmo a maneira com que se aproxima de sua amada não é lá muito convencional e pode, facilmente, ser confundida com obsessão.

Filmado todo no Uruguai, Gigante tem uma estética simples, mas a fotografia de Arauco Hernández Holz prevalece em sequências visualmente interessantes como o início do turno da limpeza no supermercado onde Jara trabalha como vigilante noturno, ou as cenas na praia.

Gigante (2009)

O elenco de apoio é muito bom, mas não há como negar que o filme seja o que é graças à interpretação inspirada de Horacio Camandule. De formação teatral, ele consegue, sem apelos e trejeitos escandalosos, transformar o gigante da tela em uma daquelas criaturas adoráveis que todo mundo quer ter por perto.

Embora tenha muitas qualidades, Gigante pode parecer lento e arrastado para alguns e irritar aqueles que não conseguem ouvir rock pesado. Algumas subtramas, criadas para fazer rir ou talvez como respiro, não são necessárias, mas também não chegam a comprometer o resultado.

Uma bonita história de amor, contada de um jeito original. E isso é raro no cinema.

Um grande momento
Parado no corredor, sendo filmado

[48º Festival de Cinema de Gramado]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

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