Crítica | Catálogo

Ensaio Sobre a Cegueira

Visto no CinemaIndicado(Ensaio Sobre a Cegueira, BRA/CAN/JAP, 2008)

Drama

Direção: Fernando Meirelles

Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Maury Chaykin, Danny Glover, Mitchell Nye, Gael García Bernal

Roteiro: José Saramago (romance), Don McKellar

Duração: 120 min.

Minha nota: 9/10

Finalmente chegou o grande dia, a ansiedade para este momento estava lá nas alturas, principalmente depois de estar com os ingressos na minha mão. Comprei todos os bilhetes à tarde e fiquei com eles na mão até à meia-noite, horário da sessão escolhido por estar mais vazio. Até os trailers estavam me incomodando e, então, o semáforo que abre o livro aparece na tela.

Claro que o livro é melhor, pois faz milhares de referências a outros sentidos para que possamos realizar aquilo que o autor gostaria de passar para quem o lê e faz desta uma experiência única, mas o filme conseguiu extrair a essência do que está sendo dito e está ali, diante de nossos olhos, ilustrando todo o desespero, pessimismo e o medo.

Em uma cidade não conhecida, no meio da rua, um homem cega de repente e é ajudado por outro que cega momentos depois. Uma epidemia de cegueira branca tem início e, embora o governo tente cessar o contágio, mais e mais pessoas ficam cegas e começam a deixar que seus instintos animais falem mais alto.

Assim como no livro, os personagens não têm nome. Julianne Morre é a esposa do oftalmologista procurado pelo primeiro cego e está perfeita no papel. Sua angústia, seu medo e sua tristeza são tão claros que ela não precisaria nem falar.

O resto do elenco também está todo bem, mas quem surpreende mais uma vez é o diretor Fernando Meirelles, que além de um trabalho perfeito com os atores, soube como viajar entre a visão dos cegos e a dos que ainda enxergam e como transmitir o caótico mundo perdido de José Saramago.

Ao seu lado, o fotógrafo uruguaio César Charlone; o diretor de arte Joshu de Cartier e a cenografista Erica Milo complementam o ambiente e fazem claros, literalmente, a cegueira e seus resultados para todos os espectadores.

Seguramente, uma das experiências cinematográficas mais profundas da minha vida. Nem a absurda ansiedade foi capaz de deixar o filme menos interessante ou falho.

Obrigatório!

Um Grande Momento

A limpeza da recepcionista pelas outras mulheres



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Cannes: Palma de Ouro

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

15 Comentários

  1. Oie!

    Miriam – Acho que será uma ótima saída e que você vai gostar muito do filme!

    Wally – Não consegui resistir à estréia, pois estava ansiosa demais. Mesmo com fila e tudo mais queria ver no dia. Tudo bem que eu peguei a última sessão, mas foi no mesmo dia… Hehehe

    Marcus – Acho que mesmo com toda ansiedade você ainda vai se surpreender. Comigo foi assim…

    Anônimo – É isso mesmo. Apesar de faltar alguma coisa, o essencial está ali. Completo e impressionante. A obra era muito complexa, muito detalhada. Por isso acho que alguns cortes se fizeram mesmo necessários, mas também senti falta de uma maior profundidade na cena da igreja e da velha vizinha da menina de óculos escuros.
    Mas adorei o filme! Muito mesmo!
    Julianne Moore está perfeita. Acho que não tem como não ter uma indicação e, possivelmente, o prêmio. Será?

    Beijocas

  2. Técnicamente falando, é um passo adiante na carreira do Meirelles. Mas… repetindo aquilo que todo mundo diz, o filme não consegue atingir as mesmas nuances de sentido da obra do Saramago. Ainda assim, todo a angustia da degradação decorrente dessa que é a pior de todas as cegueiras, a cegueira moral (ou filosófica, como queiram alguns), que nos impede de nos tratarmos e nos entendermos como seres humanos, está lá. Seja na reconstituição da caótica e emblemática cidade do livro/filme, seja no olhar que tudo vê da mulher do médico (Alguém aí também morre de amores pela Juliane?; que pergunta idiota! Ela está fabulosa, como sempre. Os outros atores estão apenas corretos em suas atuações. Se aquela que se intitula Academia de ciências e artes cinematográficas tivesse um pingo de bom senso, não perderia desta vez a chance de premiar a melhor atriz em atividade no cinema americano.)
    Num balanço geral: toda a minha expectativa não foi em vão. O que alguns chamaram de frieza no filme, eu chamo de sobriedade. Verdade que ficou faltando a reconstituição da Santa sem os olhos que está lá no livro… Contudo, nem tudo é perfeito. Eu tinha muita curiosidade de saber como o Meirelles se sairia filmando ela.

  3. Que inveja! Tô elouquecendo querendo ver este filme. Perdi no Domingo! Sua impressão me deixou ainda mais ansioso, se possível…

    Ciao!

  4. Que bom que quer ler Sagarana. Leia sim. Vale a pena entrar naquele mundo tão simples e ao mesmo tempo tão complexo dos mineiros. Sobre este filme, eu também estou louca para ver. Quem sabe vou conseguir sair de casa finalmente, hehehe.
    Beijos

  5. Oie!

    Gustavo – Sai mesmo bem impressionada e já posso te dizer que toda a expectativa que eu tinha só me fez ficar ainda mais satisfeita com o resultado. Cinema de primeira qualidade!

    Pedro Henrique – Apesar dos poucos filmes, para mim ele já está lá há muito tempo. Ele é ousado, seguro, criativo… Sou totalmente fã!

    Vulgo Dudu – Ele tem mesmo um jeito diferente de escrever, mas me agrada muito. Adorei o livro e o filme, mas pessoas que não o leram e estavam comigo na sessão também adoraram. Ou seja, apesar de ser baseado, tem vida independente… Hehehe.
    Mas essa peça deve ter sido uma experiência e tanto. Achei a idéia interessantíssima!

    Beijocas a todos!

  6. Bom, eu não curto Saramago. Parei a leitura na metade. Porém, vi uma peça baseada na obra que foi muito interessante. Foi encenada no Instituto Benjamim Constant, aqui no Rio, que atende portadores de deficiência visual. Estes faziam o papel de quem podia enxergar. Bem bacana!

    Abs.

  7. Filme de altíssimo nível. Demonstra que Meirelles entrará para os grandes do Olimpo dos diretores.

    Abraço!

  8. “Seguramente, uma das experiências cinematográficas mais profundas da minha vida.”

    Nossa, é justamente isso que gostaria de encontrar ao ver CEGUEIRA. Mal posso esperar, as opiniões positivas estão elevando as expectativas às alturas.

  9. Oie!!

    Johnny – Então corre para ver, porque vale muito a pena! Espero que essa semana dê para você!

    André – Com certeza! Tudo que os livro nos fez sentir, Meirelles transmitiu magistralmente para a tela. Obra-prima!

    Ibertson – Sério? Mas tem alguma previsão? Tomara que chegue!

    Red – Estreou ontem, com direito a fila e tudo mais. Por que demora tanto aí? Só sei uma coisa: vai valer muito a pena assistir, viu?

    Marcelo – Concordo com você! Quem leu o livro saiu do cinema com a impressão de que não faltou nada. E olha que conseguir este resultado adaptando uma obra de Saramago não é uma tarefa muito fácil. Meirelles me conquista cada dia mais. Isso é que é fazer cinema, né?
    Eu é que agradeço pela companhia. Sempre é muito bom ir ao cinema com você!

    Beijocas a todos

  10. Excelente!
    O livro é melhor, mas no filme nao falta absolutamente nada.
    Mesmo tendo cortado algumas partes, ao terminar de ver, senti como se elas tivessem estado lá.
    Completo, ele consegue passar tudo o que o livro passa ao leitor.
    Realmente obrigatório

    bjao ciça e obrigado pelo convite para ir assistir!

  11. Ena… já estreou por aí!!!!!

    Cá em Portugal está prevista a estreia apenas para… 13 de Novembro…

    Beijinho.

  12. Não entrou em cartaz no cinema daqui.
    Estou louco para assistir, principalmente após ler o livro.

  13. Acho que vivemos a mesma angústia. A cada pequena novidade que surgia desse filme eu queria mais e mais assistir pra ver se minimamente correspondia ao livro… Toda adaptação ganha um “ah, mas o livro é melhor!”… sem dúvida. mas acho que o meirelles conseguiu extrair o principal daquele livro: a degradação humana e sua angústia… e isso foi sensacional…

  14. Nâo vi ainda … fuck!
    Vamos tentar agilizar essa semana
    abraços

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