Cinema em linhas

Entrando numa gelada

Ô coisa irritante aquela música “Let It Go” da animação da Disney ganhadora do Oscar de 2014. Milhares de crianças ao redor do mundo cantando a musiquinha, alegres e contentes, e a minha vontade de ver o filme cada vez diminuindo mais.

Foi o suficiente para desenvolver uma certa raiva do título. Não gostava das feições dos personagens, não gostava da aura gelada e menos ainda daquele boneco de neve horroroso.

Um dia chegou a Malu, filha linda da minha afilhada e uma das crianças mais queridas do mundo, cantando a musiquinha. Ela tinha verdadeira adoração pelo filme, o primeiro que viu no cinema, e, além de “Let It Go”, vivia cantando todas as músicas por todo canto. Uma graça. Assisti a diversas animações com ela, mas nunca Frozen: Uma Aventura Congelante. Não queria. Não gostava.

Veio a ideia de levá-la na peça, uma dessas 539 adaptações sem autorização da Disney que invadiram os palcos do mundo todo. Fomos ao teatro. Crianças fantasiadas de Elza, gente cantando a música e por aí vai. Na porta, não conseguimos entrar. Foi um chororô que acabou em show de mágica e minha raiva pelo título só fez aumentar ainda mais.

Dia desses, sabadão, estou em casa com o Rodrigo, tão virgem de Frozen quanto eu.

– Vamos ver um filme, filho?
– Vamos! Qual?
– Deixa eu ver o que tem de novo no Now.

Lá estava Frozen com destaque. Os dois com o nariz meio retorcido para o filme, mas estava lá, não tínhamos que procurar e nem pagar nada mais por isso. Se estivesse muito ruim, pararíamos e iríamos tentar outra coisa. Afinal de contas, teríamos que ver um dia mesmo.

Risadinhas e balançadinhas de perna depois, logo depois do final do filme, ele fala:

– Mas é muito legal!
– Pô. Não é que é mesmo? Os personagens são muito simpáticos, as musiquinhas são bonitinhas e a história não acaba daquele jeito bobo de sempre.

Já era. Estávamos congelados.

Voltamos para ouvir algumas músicas decoramos o dueto da Ana e do Hans e até algumas falas do filme. Isso em um dia só.

No dia seguinte – atenção para a informação “dia seguinte”, chega em casa minha filha mais velha, a Dani. Conversa vai, conversa vem e chega a pergunta:

– Filha, já viu Frozen?
– Afffe. Não vi e nem quero ver.
– Quer sim, filha. Vem!

Coloquei o filme de novo e nós três assistimos juntos.

Não basta se congelar, tem que sair congelando os outros também. Mas até que não é uma má ideia para essa onda de calor que estamos enfrentando.

E você? Já viu Frozen?

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

2 Comentários

  1. Pois é. Preconceito besta o meu.
    Virou um vício, que agora melhorou um pouco. Mas ainda tenho recaídas quando escuto alguma música ou está calor demais. Hehehehehe.

  2. Sério? Adoro Frozen!

    Espero que o seu coração tenha descongelado depois de assistir. Sim, adoro Let it go! hahahaha

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