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(EX)POSTA

((ex)posta, BRA, 2018)
Drama
Direção: Ana Julia Carvalheiro
Roteiro: Ana Julia Carvalheiro
Duração: 11 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

(EX)POSTA fala sobre a violação de privacidade. Já em seu título define em que ambiente se dá essa violação: uma mulher se expõe para alguém em quem confiava muito e, após o fim da relação, seja ela casual ou duradoura, tem sua intimidade postada na rede. A ideia de corpo violado, que costuma ser amenizada quando comparada a outras violências, encontra aqui o protagonismo e é necessário que se fale sobre isso.

São poucas histórias para representar tantas outras que acontecem: uma mulher trans fotografada enquanto dormia, uma menina que teve seu momento de experimentação e curiosidade filmado, uma mulher que descobre seu corpo em um perfil falso de rede social e uma outra que sofre ameaças constantes de que terá seu corpo exposto caso não continue na relação.

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Apesar da necessidade do tema, as escolhas de Ana Júlia Carvalheiro não são as mais acertadas. A ideia de reencenar os depoimentos, algo que preserva a vítima, é até interessante, mas a irregularidade das atuações compromete o resultado. Enquanto há naturalidade em alguns depoimentos, há uma artificialidade que quebra todo o conjunto. Nesses momentos, o desequilíbrio entre o que é dito e a forma que se fala e a postura que se adota saca o espectador da história que estava até então inserido. Dali para frente, o que seria detalhe torna-se evidente demais.

Com participações intercaladas, (EX)POSTA até consegue recuperar-se em algumas passagens. O resultado daquelas exposições na vida daquelas mulheres encontra uma parcela de reconhecimento que o legitima, seja pela consciência da real possibilidade ou pela experiência mesmo. Mais uma vez, o que se vê em tela é uma representação de o quanto a nossa sociedade entende e faz questão de propagar que o corpo da mulher não a pertence em nenhuma esfera. É importante que se fale sobre isso.

Um Grande Momento:
O primeiro depoimento.

[VI Tudo Sobre Mulheres]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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