(Simbiose, BRA, 2017)
Documentário
Direção: Júlia Morim
Roteiro: Júlia Morim
Duração: 20 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Prazeres é uma mulher cativante. A vontade é de ficar horas e horas ouvindo-a falar sobre si própria e sobre o seu ofício de vida. A mulher que fez o primeiro parto por acaso falo sobre o que é ser parteira e sobre como isso mudou a sua vida. Seu contato com as pessoas e com o mundo estão repletos de amor e carinho.

Incansável no aprimoramento pessoal, ela formou-se em enfermagem e fez com que os conhecimentos de ambas as profissões se unissem criando a simbiose que dá o título ao curta-metragem. Prazeres é um ser simbiótico, que trouxe para sua vida dois conhecimentos diversos e com eles tornou-se uma especialista.

O modo como fala disso não é arrogante ou presunçoso. Há modéstia e uma vontade de sempre aprender mais em suas falas, há uma percepção de que a troca e a integração vão sempre levar mais longe. Com a direção de Júlia Morim, o documentário sabe a força de sua personagem e, de certo modo, deixe que ela guie a maneira com que sua história será contada. Atenta-se para sua ligação com as plantas do quintal, a interação com as crianças do bairro e a troca entre as parteiras, que cantam juntas sua especialidade.

Entre fotos e momentos, há muito espaço para que se conheça melhor aquela mulher e a sua força. Em sua sabedoria, aprendeu a olhar o mundo e procurar aquilo que de melhor pode tirar dele, descobriu que é na união e na colaboração que está o poder. Em sua construção de conhecimento, mesclou prática e tradição, comparou a entrega dos bebês objetos à capacidade de, com a criança nas mãos, convencer os pais a assumirem suas responsabilidades.

Embora se repita por vezes, o maior presente de Simbiose é fazer com que essa mulher se apresente e se torne conhecida de tanta gente. Esse simples contato, e a força com que alcança a tradição, tem o poder de modificar. E um filme que encontra a modificação, encontrou tudo.

Um Grande Momento:
Prazeres e as crianças.

[VI Tudo Sobre Mulheres]