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João, o Maestro

(João, o Maestro, BRA, 2017)
Nota  
  • Gênero: Drama
  • Direção: Mauro Lima
  • Roteiro: Mauro Lima
  • Elenco: Alexandre Nero, Rodrigo Pandolfo, Alinne Moraes, Fernanda Nobre, Caco Ciocler, Davi Campolongo, Alice Assef, Geytsa Garcia
  • Duração: 116 minutos

É indiscutível que da vida do pianista e maestro João Carlos Martins se possa fazer um longa-metragem. Virtuose do piano, que começou a tocar ainda criança, ele conquistou o Brasil e o mundo com sua habilidade com o instrumento, principalmente ao interpretar as complexas obras de Bach. Em meio ao sucesso, eventos e situações que afetaram sua capacidade de tocar, afastaram-no dos palcos mais de uma vez, mas sua persistência e dedicação o fizeram voltar à música.

O longa-metragem João, O Maestro é dirigido por Mauro Lima (Tim Maia), um já especialista em cinebiografias, mas padece de um problema recorrente no cinema comercial brasileiro atual: o efeito picote, típico de produções que são pensadas como seriados televisivos, mas ganham previamente uma adaptação para a telona. Ao percorrer décadas de uma vida, a quantidade de material que precisa ficar de fora da montagem final, invariavelmente, aparece como buracos no filme, com personagens aleatórios ou mal-desenvolvidos, situações inusitadas ou destacadas demais do que se acompanha.

João, o Maestro

O incômodo principal está nas participações das atrizes que compartilham a vida com Martins, como no caso de Fernanda Nobre, que dá vida à Sandra, sua primeira esposa. Embora até tenha um tempo razoável de tela, não há qualquer aprofundamento em sua personagem, que acaba perdida em meio a muitas elipses temporais. Há ainda um redundância no filme, que se repete narrando aquilo expõe e ao tenta explicar mais do que precisaria.

Com coisas tão difíceis de ser superadas, João, O Maestro se sustenta nas excelentes sequências musicais que, diferente de outras produções sobre musicistas, contam todas com interpretações muito pertinentes, ou seja, o que se escuta é coerente com aquilo que se vê, e atuações dedicadas dos atores principais, com destaque para o trabalho de Rodrigo Pandolfo (Minha Mãe É uma Peça), dos três o que mais se expõe, e do jovem Davi Campolongo.

João, o Maestro

E, claro, ganha pontos ao trazer a vida de João Carlos Martins ao grande público. A história que se conta, mesmo que de maneira imperfeita, é interessante o bastante e merece ser conhecida.

Um grande momento
Treinando para a peça impossível nos Estados Unidos.

[45º Festival de Cinema de Gramado]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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