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Livro celebra 20 anos da CineOP

A preservação audiovisual como ferramenta de acesso, formação e construção de futuro está no centro do livro “Memória viva do cinema brasileiro: CineOP 20 anos (2006 – 2026)” lançado pela Universo Produção durante a 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Organizada por Raquel Hallak e Fernanda Hallak e com coordenação editorial de Cleber Eduardo, a publicação foi apresentada ontem (28) à imprensa. A obra integra a coleção Cinema Sem Fronteiras, que também deverá reunir futuramente volumes dedicados à Mostra de Tiradentes e ao Brasil CineMundi.

Durante o lançamento, Raquel Hallak relembrou que a história da CineOP, contando que a ideia da mostra surgiu com a percepção de que grande parte da produção cinematográfica brasileira corria o risco de permanecer inacessível às novas gerações. Segundo ela, uma cidade histórica como Ouro Preto, patrímônio histórico da humanidade, seria o lugar ideal para se defender a ideia de que o cinema também merece ser preservado como bem cultural. 

Sobre o livro

“Memória viva do cinema brasileiro” reúne textos de mais de 30 autores e está dividida em diferentes eixos. O primeiro aborda questões técnicas e políticas da preservação audiovisual. O segundo propõe o conceito de “preservação expandida”, reunindo reflexões que extrapolam os arquivos tradicionais e dialogam com iniciativas como a ideia de uma cinemateca da quebrada, discutida por Lincoln Péricles, e de uma cinemateca negra, apresentada por Heitor Augusto. O volume é encerrado com trechos de entrevistas de homenageados da CineOP e uma retrospectiva das edições do evento.

Responsável pela coordenação editorial da obra, Cleber Eduardo afirmou que uma das preocupações centrais foi evitar que o livro se transformasse em uma simples celebração institucional da mostra. “O desafio desses livros de celebração é que eles não se tornem livros institucionais sobre o evento”, explicou. Segundo ele, a proposta foi reunir artigos que possuam valor próprio como reflexão histórica e crítica sobre memória, preservação e formação audiovisual, criando um panorama amplo sobre os desafios e possibilidades do setor.

Ao apresentar o projeto, Raquel Hallak reforçou que a preservação está diretamente ligada ao acesso e à circulação do conhecimento. “Preservar não é guardar o passado”, afirmou. A organizadora destacou ainda o trabalho de pesquisa realizado por Fernanda Hallak na recuperação de materiais das diferentes edições da CineOP e a intenção de ampliar o acesso público ao acervo acumulado ao longo de três décadas de eventos realizados pela Universo Produção.

Cine Vila Rica

A batalha pelo Cine Vila Rica voltou a ser lembrada durante o lançamento do livro. Hallak destacou a longa mobilização em torno da recuperação do espaço, um dos mais importantes equipamentos culturais de Ouro Preto. Vinculado à UFOP, o cinema está fechado desde 2018 e tornou-se um exemplo das dificuldades enfrentadas pela preservação do patrimônio audiovisual e cultural brasileiro. A reforma foi viabilizada por um convênio firmado entre a universidade e o Governo de Minas, mas passou por sucessivos entraves burocráticos, incluindo paralisações administrativas.

Segundo a diretora da Universo Produção, a luta pela revitalização do cinema consumiu quase uma década de negociações e articulações. Mais do que recuperar um prédio histórico, a proposta envolve a criação de um espaço permanente de formação, difusão cultural e desenvolvimento audiovisual para a região. Hallak destacou que a reabertura do Cine Vila Rica poderá fortalecer a formação de público, ampliar a oferta cultural em Ouro Preto e consolidar o cinema como um polo de experiências artísticas e turísticas ligado à universidade e às cidades da região. Atualmente, o projeto executivo está em fase final de aprovação, com previsão de início das obras em 2027.

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. É votante internacional do Globo de Ouro e faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema, OFCS – Online Film Critics Society e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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