(Lizzie, EUA, 2018)
Suspense
Direção: Craig William Macneill
Elenco: Chloë Sevigny, Kristen Stewart, Fiona Shaw, Kim Dickens, Denis O’Hare, Jamey Sheridan
Roteiro: Bryce Kass
Duração: 105 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Lizzie é um filme contraditório em si mesmo. Tem uma boa intenção e uma boa história a contar, mas não consegue se desenvolver bem tanto pelo apego do diretor, Craig William Macneill, a facilitações estéticas quanto pelo roteiro mal desenvolvido.

A história é a de Lizzie Borden e o famoso assassinato de seus pais, mortos a golpe de machadinha, em 1892. O crime foi investigado e Lizzie foi a julgamento como suspeita das mortes. Ela foi inocentada, pois o júri não aceitava que uma mulher conseguisse executar os crimes, e nunca ninguém foi punido. Criou-se uma lenda em torno dos crimes que sobrevive até os dias de hoje. Esta mesma história já esteve no cinema e na televisão, em sua versão mais famosa, A Arma de Lizzie Borden, com Christina Ricci no papel principal. O telefilme chegou, inclusive a virar uma minissérie.

Ao resgatar os eventos, Macneill narra aquela que acredita ser a versão mais coerente. Mas já começa mal, usando um flashback para partir da descoberta do assassinato rumo à determinação da história e de suas personagens. O desacerto segue na utilização da trilha sonora manipuladora e no modo distanciado e por vezes fora do tempo com que opta por expor os eventos.

O diretor de fotografia Noah Greenberg tem boas ideias, mas o modo como as executa também é estranho e pouco condizente. São bons feelings de posicionamento e movimento, mas um desacerto na luz torna tudo menos interessante. Assim como a obviedade do diretor, que em toda vez que expõe motivos, faz questão de mostrar a machadinha ao público, onde quer que ela esteja.

Com o desinteresse estimulado e a parte técnica comprometida, cabe às atrizes tentar salvar o filme. O que até consegue alguns respiros aqui e ali. Chloë Sevigny encontra alguma profundidade para construir a sua Lizzi, e Kristen Stewart, menos inspirada, tem os seus momentos. E é um trabalho complexo, já que é notória a pouca substância do roteiro de Bryce Kass. Não há dedicação aos personagens e nem aprofundamento na história. As motivações estão espalhadas junto a construções de persona tímidas e ineficientes, e não existe qualquer tentativa de unir tudo de maneira equilibrada.

Com uma boa história por trás e boas atuações, Lizzie é como um filme quebrado. Que deve ter funcionado em algum momento enquanto projeto, mas a má realização nunca deixou que isso se concretizasse na tela.

Um Grande Momento:
Nada tanto assim.

Links

No IMDb