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Última Parada 174

( Última Parada 174, BRA, 2008)

Drama

Direção: Bruno Barreto

Elenco: Michel de Souza, Marcello Melo Junior, Chris Vianna, Gabriela Luiz, Anna Cotrim, Vitor Carvalho, Hyago Silva, Tay Lopez, André Ramiro

Roteiro: Bráulio Mantovani

Duração: 110 min.

Minha nota: 6/10

O último conferido na Mostra foi Última Parada 174, o representante brasileiro entre os 67 títulos estrangeiros que concorrem às cinco vagas dos finalistas indicados ao Oscar de filme estrangeiro.

O filme conta a história de uma das atuações mais polêmicas da polícia em situações de seqüestro e chega após o desfecho de um outro crime com reféns, um final trágico e uma atuação imprecisa da polícia, que não soube negociar e agiu demonstrando o despreparo de seus agentes.

Sandro é um garoto pobre, apaixonado por rap e que tem que encarar a vida depois da violenta morte de sua mãe. Depois de morar com uma tia, com meninos de rua na Candelária (aqueles mesmos que foram assassinados no meio da noite), em um abrigo para menores, em um centro de detenções para menores, na casa de um parceiro de crime e na casa de uma mãe que nunca foi a sua, ele termina sua vida, após fugir da polícia em um ônibus e fazer vários reféns, dentro de um camburão.

O fim da vida de Sandro foi acompanhado por todos nós em todas as redes de televisão. O seqüestro ocorreu em 12 de junho de 2000 e teve um desfecho trágico, com a polícia matando a refém a tiros e o seqüestrador por estrangulamento a caminho da delegacia.

O filme conta essa história, mas destaca a vida de Sandro, desde sua infância e tem um dos focos principais no relacionamento dele com Alessandro, o filho de Marisa, tomado da mãe ainda bebê pelo traficante do morro por causa de uma dívida de drogas. Os dois meninos seguem caminhos diferentes, mas fazem as mesmas coisas e acabam se encontrando no futuro.

A boa história é trabalhada adequadamente pelo sempre competente Bráulio Mantovani e encontra nas atuações seu ponto forte. Tanto os dois meninos, como a mãe e o pastor estão excelentes nos papéis.

Mas isso não é o suficiente para fazer de Última Parada 174 um filme inesquecível. O tempo do filme parece ser muito maior do que é na verdade e muitas seqüências são exageradas e desnecessariamente longas.

O ritmo alterna várias vezes. O começo é agitado, o meio é lento e o final é frenético. Essa irregularidade incomoda bastante os espectadores, mas não faz com que o resultado final seja um completo desastre.

A fotografia de Antoine Héberlé é bem interessante e a trilha sonora de Marcelo Zarvos não vacila muito.

O filme ainda consegue ser mais do que menos, principalmente se pensarmos que a história foi repetida milhares de vezes na época do acontecido e já foi o tema do documentário Ônibus 174, de José Padilha.

Ao meu ver, não é a melhor escolha para representar o Brasil no Oscar, já que este ano tivemos excelentes produções como o perturbador Estômago e o belo Chega de Saudade. Em todo caso, vamos ficar na torcida.

Menos cinema e mais Cecilia
Eu, particularmente, sempre acho perigoso esse negócio de tentar amenizar atos criminosos com a história de vida de seus praticantes, mas vale a pena conhecermos para pensar no que fazemos ou podemos fazer para melhorar uma sociedade em colapso, onde o sentimento imperante é o ódio.

Um Grande Momento

O seqüestro.



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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

Um Comentário

  1. Olá Cecília,

    Assisti o Última Parada 174 e gostei muito do filme. Creio que estaremos bem representados. Também tive a oportunidade de conhecer o seu blog e achei bem interessante. Também tenho um projeto semelhante, que foi iniciado recentemente com amigos de trabalho. Quem gosta de cinema sabe que compartilhar a experiência da avaliação de uma fita com pessoas que têm o mesmo interesse é muito prazeroso. Gostaria de convidá-la a conhecer-nos: http://sessoesdecinema.blogspot.com/
    Um abraço,

    Carlos

  2. Já vou lá dar uma olhada, Kau!

    Beijocas

    Caro Anônimo,

    Você deve estar passando raiva por aí lendo os blogs dos que brincam de ser críticos de cinema.
    Eu só queria te perguntar algumas coisas:
    Onde está destacado no meu texto que eu estou mais preocupada com a indicação do que com o filme em si?
    Do mesmo modo, me mostre o momento no texto em que comparo o filme com o documentário que trata do mesmo tema.
    Se você está falando do que eu escrevi nos comentários, posso dizer sim, quantas vezes eu quiser que o documentário é muito mais competente do que o filme como cinema, já que um é muito mais ousado e tecnicamente melhor do que o outro. Opinião é assim, colega!
    Eu encaro o meu blog como uma diversão, um lugar onde as pessoas gostem de estar. Em nenhum momento tive pretensões de passar por crítica de cinema, uma vez que não tenho o conhecimento necessário e depois porque não tenho que ficar floreando e falando difícil para falar daquilo que gosto ou não.
    Mas se as críticas daqui estão em nível muito baixo, não precisa se fazer de rogado. É só esquecer o endereço!
    Não entendo porque uma pessoa que acha o nível do blog baixo, lê todos os 18 comentários (parece que você só leu isso) de um post e depois vem falar mal, ainda mais sem deixar o nome!
    Nada mais para fazer ou é só vontade de estragar o dia dos outros?
    Bom, se é por falta de adeus, tchau!

  3. Parece-me que a preocupção aqui é menos com o filme enquanto uma obra de arte que com um possível Oscar. Que ele – o Oscar – valha muito para alguns tudo bem, mas que preceda e sobreponha-se a outras discussões que o filme enceta…asneira maior que a hiperimportancia ao Oscar é sem dúvida comprarar o filme com o documentário…que o tema seja o mesmo não autoriza jugamentos bobos de melhor ou pior, já que a proposta são em absoluto diferentes. Sensatez mesmo so nos comentários ao redor dos meandros politicos que envolvem uma indicação ao Oscar…o que já deveria ser um dado para por em questão a importância do mesmo… enfim, desculpa a chatice, mas críticas como as aqui postadas é que estão em um nível muito baixo…se é para brincar de critico de cinema, ao menos façam com um pouco mais de competência, ou seja, façam uma análise do filme e das discussões que ele traz e nao do Oscar etc…

  4. Cecília, vi o filme e postei a resenha no Cinefilando! Espero seu comentário. Bjos

  5. Oi, gente!

    Desculpem a demora para responder, mas eu estou mais enrolada do que fita isolante…

    Miguel – Eu sei disso, infelizmente. Toda vez que tem um Barreto no páreo ele é o escolhido. Concordo com você quando diz que o cinema deles é muito pequeno…

    Johnny – Pois é. Foi um amontoado de erros, a começar pelos pais que deixaram a filha de 12 anos namorar um cara de 19. E vem o Jornal Nacional fazer historinha de vida de bandido (“um trabalhador que gostava de futebol”), nos poupe, né?
    O filme não é a pior coisa que eu vi, mas é bem fraco. Para mim, não tem a menor chance.

    Sérgio – Eu nem estou mais, Sérgio. Sou de Brasília e só passei dois dias em Sampa. :(
    Acho que todos nós criamos uma antipatia com o filme. A gente já conhece o cinema da família.

    Pedro – Acho que não vai ser dessa vez mesmo não.
    Ainda não vi A Casa de Alice, mas quero muito!

    Jacques – Isso mesmo! Muito raso! Mas, como sempre, é ele que vai para a lista de possíveis indicações.

    Alysson – Como assim não queriam ser agressivos, né? Acho uma agressão ao cinema quando trocam a qualidade pelo nome de alguém.

    Fernanda – Já vai sabendo que não vai ser a coisa mais maravilhosa do mundo, hein?
    Quanto à justificativa, estão sempre fazendo, né? Tem coisas que não têm explicação. A publicidade a esses tipos de atos mais prejudica do que contribui.

    Kau – Não era sem motivo. O primeiro trailer do filme é tétrico. O segundo é melhorzinho, mas eu ainda acho bem ruim. Se você gosta do documentário, a chance de odiar o filme é maior. Eu acho que não rola chance não…

    Otávio – Eu só fui a um dia na mostra e vi os três filmes que falei. No outro dia cedinho estava voando para Brasília.
    Mas ainda bem que Sinédoque vai passar aqui em Brasília também.
    Eu fui ver o filme para conhecer o nosso representante ao Oscar…

    Vinícius – Acho que todo mundo que assiste a um filme dele sai com essa mesma impressão.
    Não é a pior coisa, mas está longe de ser a melhor.

    Hugo – Para mim, os dois não são nem comparáveis, apesar da história ser a mesma.

    Ramon – Eu também não, mas como é o nosso representante eu fiz o esforço.

    Wally – Na minha opinião também. O filme é, como bem disse o Jacques, é morno!

    Leandro – Eu achei que estreiaria agora, não é não? Ainda não vi Gomorra e, infelizmente, não vai passar no Festival daqui… Mas não duvido que seja melhor!

    Breno – É engraçado isso, né? Com excessões, raramente os que se destacam são os escolhidos para o Oscar. Eu sei que se continuar assim, vai ser difícil levar algum.

  6. Esse júri que escolhe o candidato brasileiro se preocupa em se agradar com o filme e deixam de lado um olhar estratégico visando a academia, independente de ter sido inscrito ou não, Linha de Passe foi um grande sucesso de crítica no mundo inteiro e poderia ser a escolha nacional.

  7. Tá na hora de ser exibido em outros cinemas além de mostrar já esse filme demorou hein… e honestamente depois de ver Gomorra, dúvido muito que esse filme consiga alguma coisa enfim sei lá….

  8. A aceitação está mista mesmo. Vai ser difícil desbancar o excelente documentário “Ônibus 174” na minha opinião…

    Ciao!

  9. A maioria das críticas falam que o filme é apenas razoável e o documentário foi bem melhor.

    Bjos

  10. Esse eu estou curioso para ver devido a grande atenção da mídia em relação ao trabalho do Bruno Barreto, mas acho que terei uma opinião parecida – ou seja, de que não é ruim, mas está longe de ser algo considerável.

  11. Putz! Não consigo ver a maioria dos filmes que eu gostaria na Mostra.

    Hoje, irei ao SINÉDOQUE, NOVA IORQUE. Você vai?

    Não vi esse do Bruno Barreto, mas nem me interessa…

    Bjs!

  12. Ai Cecília, que medo. Momento ”eu confesso”: a primeira vez que vi o trailer, detestei. Mas dei uma segunda chance e adorei, hahahaha. Gosto muito de “Ônibus 174”, e mesmo com sua nota, ainda estou muito ansioso para ver o nosso representante ao Oscar. Mas acho que não rola chance, né?

    Bjos.

  13. OI Cecília, ainda nao assisti a esse filme ,mas gostei de sua crítica. Realmente é complicado a justificativa desses atos violentos …..mas vou conferir o filme.Valeu!

  14. Os responsáveis pela escolha deste filme à pré-indicação aos Oscar, disseram que não queriam ser “Agressivos”…. Brrrr!!

    É óbvio que tivemos trabalhos melhores, mas parece que querem seguir o mesmo tema sempre, só porque com “Cidade de Deus” deu certo.

    Uma pena!

    Beijos, Ceci!

  15. Acho que a grande maioria dos indicados a uma indicação ao Oscar seriam melhores que esse filme do Barreto. Aliás, nunca fui fã de sua filmografia. Muito comercial, muito raso. Não tenho a minima vontade de assisti-lo. Abcs

  16. Parece que não vai ser desta vez que levaremos o Oscar…

    Eu indicaria A Casa de Alice!

  17. Poxa… queria tah aih pra ver a Mostra tb hehehe
    Estou ansioso para ver este filme, mas ansioso já consciente que não devo gostar muito, aliás criei certa antipatia por ele quando este foi escolhido como representante brasileiro pro Oscar…

  18. Como dizem …
    Nâo adianta transformar um monstro em um ser humano …
    Acho que eles não queriam repetir o erro desse sequestro em Eloá e conseguiu ter uma coisa pior …

    E nem como cinema isso é aturavel … Mais um ano deixamos de mandar um ótimo filme no Oscar …

    Abraços

  19. Cecília, o problema é que o Barretão (o pai) faz parte da comissão que escolhe os filmes a serem indicados…. Argh! Que preguiça deste filme! Sua opinião só aumentou a sensação… Ele (Barretos em geral) se esforçam em serem comerciais, o que não é pecado, mas sempre de um jeito muito pequeno.

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