Crítica | Streaming

Mademoiselle Vingança

(Mademoiselle de Joncquières, FRA, 2018)
Drama
Direção: Emmanuel Mouret
Elenco: Cécile de France, Edouard Baer, Alice Isaaz, Natalia Dontcheva, Laure Calamy
Roteiro: Denis Diderot (romance), Emmanuel Mouret
Duração: 109 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Madame de La Pommeraye é uma viúva rica que escolheu viver longe da sociedade e está muito bem sozinha. Ela passou muito tempo se esquivando das investidas do mulherengo Marquês de Arcis, até que ele deixa tudo para trás por meses e se instala como hóspede em sua vila. Com a convivência diária, ela começa a achar que talvez suas intenções sejam verdadeiras e, mesmo com os avisos da melhor amiga, cede e se envolve.

O que se dá a seguir é exatamente aquilo que se esperava. Buscando uma reação diferente, Madama de La Pommeraye aposta e perde o jogo, orgulhosa demais para deixar que isso seja percebido. É quando começa a arquitetar sua vingança e busca o apoio da jovem Mademoiselle de Joncquières para executá-la.

A história, inspirada em Jacques, o Fatalista, de Diderot, já esteve nos cinema em uma versão modernizada, As Damas do Bois de Boulogne, dirigida por Robert Bresson, e volta agora em seu tempo original, o Século 18. Emmanuel Mouret reconstrói a trama de traição e a vingança, apostando no poder da palavra e distribuindo bem a ação no tempo. Longos diálogos, recheados de sarcasmo e falsidade trazem a adequação ao que se conhece hoje em dia. O tempo passa, os costumes mudam, mas certos sentimentos se mantém exatamente iguais.

Na identificação e curiosidade pelo alcance e limite das ações, Mademoiselle Vingança encontra sua força e faz com que quem o assiste não consiga se afastar da trama, A potência de sua protagonista, vivida por uma marcante Cécile de France, também contribui com o apego gerado. E a atriz está muito bem acompanhada por Edouard Baer, Alice Isaaz e Natalia Dontcheva.

No mais, Mouret faz questão de ser bastante detalhista na reconstrução do universo retratado, com figurinos, cenários, penteados, direção de arte e escolha de locações precisos. Apesar de alguns momentos se apegarem demais há teatralidade, há um casamento tão bem determinado com aquilo que se vê e constrói que não chega a incomodar.

Um Grande Momento:
A revelação.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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