Crítica | Streaming

Um Banho de Vida

(Le grand bain, BEL/FRA, ano)
Comédia
Direção: Gilles Lellouche
Elenco: Mathieu Amalric, Guillaume Canet, Benoît Poelvoorde, Jean-Hugues Anglade, Virginie Efira, Leïla Bekhti, Marina Foïs, Philippe Katerine, Félix Moati, Alban Ivanov, Balasingham Thamilchelvan, Jonathan Zaccaï
Roteiro: Ahmed Hamidi, Julien Lambroschini, Gilles Lellouche
Duração: 122 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Um Banho de Vida parte de uma premissa bastante comum: a necessidade de autoconhecimento. Pessoas perdidas em uma vida sem perspectivas, frustradas consigo próprias, imersas em relações quebradas encontram um lugar seguro para se expor e assim se reconhecer. Com humor, o longa-metragem franco-belga dirigido por Gilles Lellouche encontra na identificação e na empatia sua principal força.

O time de frustrados tem questões de vários tipos: o depressivo agressivo, o ingênuo que sempre coloca os outros na sua frente, o deslumbrado que não progride, o pai que não consegue se relacionar com a filha e o desempregado sem autoestima e a alcoólatra consumida pela culpa. Juntos, eles e sua treinadora, formam a equipe de nado sincronizado masculino francesa. E vão participar do campeonato mundial.

Essa inadequação entre seres e objetivos é algo que já se viu algumas vezes no cinema. Aqui há a especificidade de gênero sexual preconceituosamente associada ao nado sincronizado, mas as figuras quebradas e perdidas da história podem lembrar de pronto a comédia britânica Ou Tudo ou Nada. Ainda que os objetivos e uma maior presença feminina sejam diferenças entre os dois filmes, a estrutura que se segue é muito próxima. O clímax com o show dos ingleses e a apresentação dos franceses também permitem a repetição.

Entre as diferenças estão os aprofundamentos nos personagens, mesmo aqueles que não são protagonistas e, como é um filme francês, um espaço maior para a exposição e aprofundamento das relações e personas envolvidas. Todos os personagens têm o seu momento, sozinho e acompanhado, e conseguem estabelecer o vínculo com quem assiste ao longa.

Muito da inspiração vem do roteiro esperto e bem-humorado do próprio Lellouche em parceria com Ahmed Hamidi, Julien Lambroschini, e das atuações inspiradas de Mathieu Amalric, Guillaume Canet, Benoît Poelvoorde, Jean-Hugues Anglade, Philippe Katerine, Virginie Efira e Leïla Bekhti. Com espaço para o aprofundamento em individualidades e tiradas divertidas, tudo flui bem, ainda que haja uma previsibilidade.

Um Banho de Vida não é uma comédia com grandes pretensões, e talvez por isso seja tão efetiva. Tem um bom elenco, uma boa escolha de música, sabe como criar a conexão e aposta em uma estrutura que dificilmente dá errado. Ainda que previsível, cumpre exatamente aquilo que esperava: diverte e entretém, sem deixar de passar uma mensagem positiva.

Um Grande Momento:
A apresentação.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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