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O Escafandro e a Borboleta

Visto no Cinema(Le scaphandre et le papillon, FRA/EUA, 2007)

Drama

Direção: Julian Schnabel

Elenco: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Max von Sydow, Marina Hands, Jean-Pierre Cassel, Anne Consigny

Roteiro: Jean-Dominique Bauby (romance), Ronald Harwood

Duração: 112 min.

Minha nota: 8/10

Jean-Dominique Bauby é o editor chefe da revista Elle francesa, tem três filhos, vários amores e uma vida bem animada. Em um passeio com o filho ele sofre um AVC e como conseqüência perde todos os movimentos do corpo, menos o da pálpebra do olho esquerdo. Para se comunicar com o mundo Jean-Do segue o método de sua fonoaudióloga que ao ditar as letras, por ordem de uso na língua francesa, acaba o permitindo a formação de palavras, frases e, por fim, no livro O Escafandro e a Borboleta.

Foi a história do filme que me manteve tanto tempo afastada dele, mesmo depois de ter os convites na mão. Para mim é difícil ver qualquer coisa que trate de doenças sem ficar profundamente abalada e triste. Mas, ao mesmo tempo, estava curiosa para ver como a história de um homem completamente paralizado poderia virar um filme que agradou a tanta gente.

O diretor, Julian Schnabel, esclarece minha dúvida logo no começo do filme ao optar pela câmara subjetiva e por nos mostrar a realidade pelos olhos, ou olho melhor dizendo, de quem acabou de passar por uma tragédia e agora encontra-se preso no próprio corpo.

Na primeira parte do filme, este é o único meio de vermos a história. A vontade de morrer do personagem, o desespero da prisão, o medo e a angústica estão ali e é quase como se nós espectadores estivéssemos sentindo o que Bauby sente. Na segunda parte, estamos dentro e fora do personagem e passamos a sentir como os outros também.

O resultado não poderia ser melhor. Ainda mais se considerarmos que o elenco talentoso mergulha de cabeça na história, com destaque para Marie-Josée Croze como a fonoaudióloga, Max von Sydow como o pai e Emmanuelle Seigner como a dedicada ex-esposa.

O roteiro é excelente e a fotografia de Janusz Kaminski está estupenda, irretocável.

Lindo, sensível e emocionante, não há como não se envolver com o filme. Para mim, um dos melhores de 2007. Indispensável!

Um Grande Momento

A ligação do pai.



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Oscar: Direção, Roteiro, Fotografia (Janusz Kaminski), Edição (Juliette Welfling)

BAFTA: Filme Estrangeiro, Roteiro Adaptado

Cannes: Palma de Ouro, Direção, Grande Prêmio Técnico

César: Filme, Direção, Ator (Mathieu Amalric), Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição, Som (Jean-Paul Mugel, Francis Wargnier, Dominique Gaborieua)

Globo de Ouro: Filme Estrangeiro, Diretor, Roteiro

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

15 Comentários

  1. Oi, Ramon! Essa escolha deve ter sido muito difícil, né? Sangue Negro, Onde os Fracos Não Tem Vez, O Escafandro e a Borboleta e O Assassinato de Jesse James. Eu ainda fico com o último, mas qualquer um que ganhasse merecia.

    Beijinhos

  2. A minha nota para obra é ainda maior. Dou 10!
    Que bom que você lembrou da fotografia. Achei fora de série. Uma lástima não ter levado a estatueta. Se bem que a fotografia de O Assassinato de Jesse James… também é demais. Sangue Negro foi meu preferido em tudo, mas fotografia não foi um prêmio merecido.

    Abs!

  3. Olá!

    Alyson – É mesmo uma lição de vida. Acho que eu não daria conta!

    Kaue – Concordo com você. Quanto à nota, admito que sou péssima nisso. Mas descontei por algumas cenas longas demais e pela passagem de Lourdes. Um dia eu aprendo a fazer… Hehehe

    Beijocas

  4. Cecília, este é o segundo melhor filme da última temporada, pra mim. Achei tudo muito maravilhoso: desde a adaptação, passando pelo elenco e fotografia e chegando na impressionante direção de Julian. Minha nota é um 9,5 e só não dou 10,0 pq fiquei agoniado em algumas cenas! Hahahahaha.

    Bjos.

  5. Foi o ultimo filme que eu assisti, por coincidência, Cecilia. Adorei também. Acho tudo uma lição, tanto de cinema quanto de vida.

    Um beijo!

  6. Olá!

    Jacques – Acho que vai te agradar.

    Vinícius – Realmente, uma história quase infilmável de um homem sem movimentos virou esse filmão.

    Ramon – É triste mesmo, mas é muito bom, né?

    Beijocas para vocês

  7. Eu nem tava com muita vontade de ver o filme, mas acabei gostando bastante apesar de ser bem triste.

  8. Esse eu achei maravilhoso, tanto em termos de trama (o roteiro é excepcional) como da direção do Schnabel – que teve uma visão iluminada sobre a história de Bauby.

  9. Cecília, o filme é bem badalado,mas ainda não vi e é um dos que estão na minha lista de espera. Beijos.

  10. Oie!

    Pedro – Claro que você tem todo o direito de não gostar. Eu também não gosto de um monte de coisa que a maioria adora e gosto de coisas odiadas.

    Robson – Principalmente para você, já que você adora um drama… Hehehe

    Contra-regra – Realmente é muito bom. Almaric dá um show! Doído e lindo ao mesmo tempo!

  11. É um filme lúdico (apesar de trágico). Mathieu Amalric entrega uma das interpretações mais corajosas que eu vi nos últimos tempos. E o diretor de fotografia Janusz Kaminski garante o interesse do público pela maneira como conduz as imagens.

    Mídia? Cultura? Acesse:
    http://robertoqueiroz.wordpress.com

  12. Eu tenho muita vontade de conferir esse filme… ele parece ser uma boa pedida…

  13. Eu não sei o motivo, mas “O Escafandro e a Borboleta” não me emocinou. Tenho esse direito, certo? De qualquer maneira, vou dar um tempo e ver de novo.

    Abraço!

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