Crítica | Streaming

O Juízo

(Título original, PAÍS/PAÍS/PAÍS/PAÍS, ano)
Gênero
Direção: Andrucha Waddington
Elenco: Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Carol Castro, Fernando Eiras, Felipe Camargo, Kênia Bárbara, Criolo, Alexandre Varella, Joaquim Torres Waddington
Roteiro: Fernanda Torres
Duração: 90 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

É louvável o esforço de Andrucha Waddington em não se fixar em um único gênero cinematográfico. Do começo mais autoral com Gêmeas, Eu Tu Eles e Casa de Areia, ele já passeou pela comédia, com Os Penetras; ação, com Sob Pressão; biografia, com Chacrinha: O Filme, e chega agora ao terror com O Juízo.

Com roteiro de Fernanda Torres, esposa do diretor, o longa-metragem parte de uma premissa interessante: um casal e seu filho adolescente voltam a uma antiga fazenda da família. Um evento do passado fez com que o local fosse amaldiçoado, perturbando todos os descendentes.

O Juízo até começa bem, com uma boa construção de atmosfera, com o uso de pouca luz e trilha adequada, Porém logo nos primeiros momentos, por um equívoco de construção narrativa, acaba menos interessante do que precisava. O transitar do passado ao presente, entregando ao espectador aquilo que poderia ser presumido tira um suspense que seria bem-vindo à produção.

A obviedade, que já está na partida, vai tomando conta da produção e faz com que pequenos novos mistérios sejam antecipados, tornando o desfecho óbvio e pouco interessante.

Ciente de tudo o que está acontecendo sobra tempo ao espectador para perceber a heterogeneidade do elenco, que mistura boas atuações dos veteranos Fernanda Montenegro e Lima Duarte à participação insegura de Carol Castro, Criolo e do estreante Joaquim Torres Waddington, filho de Andrucha e Fernanda Torres. Felipe Camargo, como protagonista, está no meio desses dois extremos.

O que fica de O Juízo está por trás da construção do gênero, quando busca as bases de formação da sociedade brasileira, flerta com questões ligadas às etapas da vida e fala da saúde mental e do alcoolismo, mas essa não era a intenção principal nem dos produtores nem dos espectadores.

Ainda assim, é interessante ver a dedicação cada vez maior no terror, mas é preciso um pouco mais para que tudo funcione como deveria.

Um Grande Momento:
O barulho na casa.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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