Crítica | Streaming

Obsessão Secreta

(Secret Obsession, EUA, 2019)
Suspense
Direção: Peter Sullivan
Elenco: Brenda Song, Mike Vogel, Dennis Haysbert, Ashley Scott, Paul Sloan, Daniel Booko, Scott Peat, Blair Hickey, Michael Patrick McGill
Roteiro: Peter Sullivan, Kraig Wenman
Duração: 97 min.
Nota: 1 ★☆☆☆☆☆☆☆☆☆

Existe um tipo de filme produzido em enorme quantidade no mundo. São filmes pouco preocupados com a técnica, produções geralmente baratas e que visam o consumo rápido e não duram na cabeça de quem os assistem. Quem cresceu vendo televisão aberta, conhece bem esse tipo de longa-metragem que completa o pacote de compra. A emissora comprava um medalhão e tinha que levar junto com ele um pacote de 20 filmes menores que eram distribuídos na programação, na maioria, estes.

Os tempos mudaram e a própria lógica da televisão mudou com a chegada dos streamings. Embora a TV aberta ainda exista, há uma nova forma de distribuir filmes e fazer com que eles cheguem a público. Mas não importa a mudança, esse tipo de filme continua sendo produzido em profusão e continua, de um jeito ou de outro, chegando ao público.

Obsessão Secreta, mesmo que não tenha sido feito neste intuito, se encaixa bem no perfil. O filme sobre uma amnésica que atenta lembrar de sua vida ao lado do marido dedicado não faz qualquer esforço para se diferenciar de tantos outros. Os atores são pouco carismáticos, o roteiro é inseguro e, para um título que se propõe a ser de suspense, a previsibilidade compromete.

O longa, dirigido por Peter Sullivan, até começa bem, mas é bastante óbvio. Tenta, a todo custo, despistar o espectador com teorias paralelas e o uso de trilha sonora manipuladora e pouco convincente. O mistério primordial acaba se prendendo à origem da relação e não à definição de um antagonista, como deseja o diretor. O que se espera desvendar é sempre antecipado por quem assiste.

Brenda Song se esforça para dar credibilidade a uma personagem mal desenvolvida, com poucas nuances. O mesmo pode ser percebido na atuação de Dennis Haysbert como o detetive Frank Page, em uma trama paralela forçada e que pouco ou nada casa com a trama principal. Mike Vogel, o marido, não consegue ter o mesmo lampejo dos colegas de cena, entregue à canastrice em um papel problemático desde o roteiro.

São muitos os desacertos e as pontas soltas, principalmente no modo como a revelação se desenvolve, com o uso de flashbacks pouco interessantes; ou no clímax do filme, de pouca e previsível tensão. Para piorar, há uma semelhança grande com outro filme de uma mulher amnésica, o longa Antes de Dormir, de Rowan Joffe, com a trinca Nicole Kidman, Colin Firth e Mark Strong, mais elaborado no desenvolvimento.

Assim, Obsessão Secreta, distribuído pela Netflix e disponível na plataforma, é um filme que não consegue superar a característica de genérico. Uma história pouco envolvente que não cumpre seu principal objetivo como thriller, já vista antes, e com cara de filme que não desperta muito interesse, mas completa o pacote de compra.

Um Grande Momento:
O início.

Pôster Obsessão Secreta

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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