(Os Príncipes, BRA, 2018)
Drama
Direção: Luiz Rosemberg Filho
Elenco: Igor Cotrim, Alexandre Dacosta, Patrícia Niedermeier, Ana Abbott, Tonico Pereira, Jorge Caetano, Orã Figueiredo, Otávio Terceiro, Lucília de Assis, Cristina Mayrink
Roteiro: Luiz Rosemberg Filho
Duração: 90 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Em um momento de apatia geral da sociedade, Os Príncipes, de Luiz Rosemberg Filho chega como um retrato desesperado do opressor, como uma provocação para que se enxergue de maneira mais clara e chocante aqueles que, do topo, estão por trás de tudo o que destrói e contamina.

Baseado em um texto do diretor escrito na década de 1970, o longa-metragem, que choca por sua atualidade, é histérico e frenético. Seus protagonistas indigestos são tudo o que se abomina. Não há qualquer momento de alteração neste sentimento. Mais do que constante, a repulsa vai se multiplicando a cada novo movimento daqueles príncipes que tudo podem fazer e não precisam prestar qualquer satisfação sobre seus atos.

O mosaico de perversão e preconceito é construído de forma incômoda por uma câmara quase sempre na mão e leva para além da tela a gravidade da apatia de uma sociedade que sabe o que acontece, conhece seus detratores, mas apenas observa os fatos, num espelhamento do sentimento daqueles espectadores do filme.

É nesse incômodo instantâneo que Rosemberg aposta suas fichas e apoiado nele vai buscar as origens do descambar social que assola o país nos dias de hoje, chegando ao local que todos chegam quando param para pensar no assunto: a origem colonial.

Metaforicamente, a degeneração encontra seu espaço natural na interação com aqueles que pela primeira vez a realizaram/permitiram, indo além do que há de comum ao homem e alcançando algo pior na construção de uma corte inexistente, que confere poder e títulos ao que há de mais baixo em uma sociedade.

O desfile de personagens detestáveis e suas atrocidades, com um sem número de situações preconceituosas e machistas, chega ao fim gritando a realidade e carregado de desesperança. Porque, assim como antes, nada se move para que isso acabe.

Um Grande Momento:
Filmes de guerra.