Crítica | Outras metragens

Padrões Distópicos

(Dystopian Patterns, BEL, LEB, 2019)

  • Gênero: Experimental
  • Direção: Isabelle Nouzha
  • Roteiro: Isabelle Nouzha
  • Duração: 6 minutos
  • Nota:

Natureza é uma força que inunda como os desertos

Manoel de Barros

O tempo passa. Uma cidade se constrói e se deteriora. Nas ruínas, a verticalização dá espaço a uma natureza que deixara de existir. Em seus padrões distópicos, que já vêm gravados no título do filme, Isabelle Nouzha – que produz, fotografa, edita e dirige – procura e encontra o fim da humanidade. O local de partida é conhecido, pelo menos em todas as grandes cidades do mundo, mas em seu time-lapse ela o vai despovoando, transformando.

São caminhos bem escolhidos que se destacam no preto-e-branco silencioso. Cada quadro funciona como uma pausa para ver o tempo passar freneticamente, nas mudanças do céu, nas sombras que se formam. É nesse tempo que a vida se acaba, que os prédios e casas se tornam ruínas e onde uma outra forma de vida encontra espaço para florescer.

Padrões Distópicos

O deixar envolver-se pelo ambiente que filma não segue um padrão, a montagem determina impositivamente o quanto cada um dos quadros permanece. Demora-se na raiz de uma árvore, espia madeiras encobrindo uma janela; passa rapidamente pelas casas de diferentes formas e presta muita atenção a uma planta que brota na parede. Seguindo essa gramática visual, alcança o ponto principal de seu curta.

Se o contexto não é dos mais otimistas, não há muito como pensar em um outro caminho que não a extinção. Temporária, porém extinção. De uma vida nasce a outra e Padrões Distópicos sabe disso, mas não chega tão longe naquilo que mostra, deixa para cada um a construção ou não de um novo ciclo após aquele exposto.

Um grande momento
A primeira ruína

[31º Curta Kinoforum]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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