Crítica | Catálogo

Para Todos os Garotos que Já Amei

(To All the Boys I’ve Loved Before, EUA, 2018)
Romance
Direção: Susan Johnson
Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Janel Parrish, Anna Cathcart, Andrew Bachelor, Trezzo Mahoro, Madeleine Arthur, Emilija Baranac, Israel Broussard, John Corbett, Kelcey Mawema, Julia Benson, Joey Pacheco, Edward Kewin, Jordan Burtchett, June B. Wilde
Roteiro: Jenny Han (romance), Sofia Alvarez
Duração: 99 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Baseado no romance de Jenny Han, com roteiro de Sofia Alvarez e direção de Susan Johnson, Para Todos os Garotos que Já Amei é uma comédia romântica adolescente com gostinho de anos 1980. Ainda que pontualmente atualizada, há muito na produção da Netflix que lembra aquela aura hughiana que marcou uma geração.

A protagonista é Lara Jean, uma jovem viciada em literatura de romance barata, que sonha em ter um relacionamento e está apaixonada pelo namorado da irmã mais velha. Possivelmente pisciana, ela tem uma facilidade em se apaixonar e, como hábito, escreve cartas que nunca envia para essas paixões. Acontece que um dia, as cartas são enviadas.

Focado na hormonal adolescência, o ambiente não poderia ser outro que não o escolar. Se John Hughes uniu os estereótipos, aqui eles estão separados, mas até interagem bem e não apenas na biblioteca em um sábado de detenção. Com rixas pontuais, que são muito mais pessoais do que por identificação de turmas, o filme consegue se estabelecer bem na relação dos e com os personagens.

A trama é previsível e segue o padrão de outras comédias românticas, com os clichês esperados do gênero, inclusive aqueles que já deveriam ter sido superados, principalmente com tantas assinaturas femininas no projeto, como, por exemplo, a competição entre duas mulheres, com a representação de uma delas como a bitch malévola. Além disso, lá está aquela velha noção de completude que só existe com o encontro de um amor. São as pequenas coisas que marcaram o gênero e que justificam o seu questionamento até hoje, mas que aqui conseguem ser superadas por outros posicionamentos mais afirmativos, como a postura da irmã mais velha ou a relação com o pai.

Além disso, há uma leveza – e pode-se dizer até um certa fofura – no acompanhar da jornada de Lara Jean em sua inocência que tornam o filme interessante e envolvente. Obviamente destinado ao público juvenil, tem uma linguagem que facilita essa comunicação, tanto pela familiaridade que cria com os ambientes e as situações como nos pequenos detalhes, vide a pontuação através da faixa no corredor da escola. O carisma de Lana Condor e Noah Centineo também ajudam bastante.

Não é nada de mais, mas Para Todos os Garotos que Já Amei é um filme bonitinho, que cumpre exatamente o seu propósito e que funciona bem como comédia romântica adolescente. Aposta certeira da Netflix, essa adaptação do primeiro livro da trilogia deve gerar bastante público para os outros que virão a seguir.

Um Grande Momento:
O primeiro beijo.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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