Crítica | Streaming

Pequenos Monstros

(Little Monsters, GBR/AUS/EUA, 2019)
Comédia
Direção: Abe Forsythe
Elenco: Lupita Nyong’o, Alexander England, Josh Gad, Kat Stewart, Diesel La Torraca, Nadia Townsend, Marshall Napier, Glenn Hazeldine, Ava Caryofyllis, Charlie Whitley, Mason Mansour, Kim Doan, Wolfgang Gledhill, Caliah Pinones, Jack Schuback, Vivienne Albany, Shia Hamby, Ashton Arokiaswamy, Gareth Davies
Roteiro: Abe Forsythe
Duração: 93 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Imaginem uma base militar de testes científicos ao lado de um parque infantil e todas as possibilidades a la Stephen King que isso poderia trazer. Entre as muitas opções que a imaginação pode alcançar está a do diretor e roteirista australiano Abe Forsythe (Down Under). Filmando no país do diretor, com direito a visita a ovelha e coalas, Pequenos Monstros, disponível no Telecine, busca o humor ao imaginar uma invasão zumbi no divertido lugar.

O longa fica um pouco desconjuntado quando resolve traçar o seu caminho por histórias mais relevantes do que deveriam ser. Toda a interação do casal Dave e Tess, por exemplo, é descartável e talvez funcionasse melhor em um filme dedicado somente a eles, assim como há um exagero na definição da persona do protagonista, que ocupa tempo demais de tela para falar algo que poderia ser mais sintético.

Pequenos Monstros (2019)

O roteiro só se encontra mesmo com a entrada em cena de Miss Caroline, a professora do sobrinho de Dave que faz as vezes de uma Maria, a ex-freira de noviça rebelde, moderna. Dali para frente, a trama começa a ganhar uma forma que se adequa ao lugar onde quer chegar. Baseando-se primeiramente na diferença entre os dois protagonistas, vividos por Lupita Nyong’o (Nós) e Alexander England (Alien: Covenant), no interesse deste e em sua total inabilidade com crianças, o filme até tem um certo charme.

E até fica interessante com a invasão zumbi que acontece no parque – e tem um começo bem apropriado na instalação militar -, tanto por saber como acessar os clichês e referências, como na abordagem inesperada. Há boas ideias, sem dúvida. A tentativa da professora feliz em manter as crianças alheias ao que acontece e faz tudo para defendê-las, incluindo aqui o uso da pá e ameaças ao sem noção Teddy McGiggle, personagem um tanto mal construído vivido por Josh Gad (Assassinato no Expresso Oriente). Há ainda algumas viradas de roteiro mais inteligentes, ainda que previsíveis, que justificam a mudança dos personagens.

Pequenos Monstros (2019)

Porém, por mais que divirta e tenha lá os seus momentos, Pequenos Monstros é um filme desconjuntado. Está sempre passando a impressão de que seus eventos não conseguem se comunicar uns com os outros, seja pelo aparecimento súbito de uns ou pela demora em outros. É como se Forsythe quisesse colocar em tela tudo aquilo que esperava de uma comédia romântica de ação – destaque-se, com zumbis – e não encontrasse nos montadores Jim May (Sem Escalas) e Drew Thompson (Os Sete Guerreiros) mãos fortes o suficiente para cortar o que deveria ser cortado e amarrar melhor as coisas.

Mas Pequenos Monstros tem lá os seus momentos, como o apego a Tay-Tay no ukelele ou no resgate da mochila, e, talvez por histórias de zumbis – “rápidos ou lentos, senhor?” – terem um apelo à parte, prende quem está assistindo até o final. Diverte, mas não é nada que sobreviva tempo demais na cabeça.

Um Grande Momento:
Miss Caroline e a pá.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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