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Antes Que Eu Vá

(Before I Fall, EUA, 2017)
Drama
Direção: Ry Russo-Young
Elenco: Zoey Deutch, Halston Sage, Logan Miller, Kian Lawley, Elena Kampouris, Cynthy Wu, Medalion Rahimi, Erica Tremblay, Liv Hewson, Diego Boneta, Jennifer Beals, Nicholas Lea
Roteiro: Lauren Oliver (romance), Maria Maggenti
Duração: 98 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

“O que você faria se só restasse esse dia?” Responda a pergunta pensando que você está ainda no ensino médio, com muitos planos e sonhos e achando que tem a vida inteira pela frente. O longa Antes Que Eu Vá, dirigido por Ry Russo-Young (O Sol Também É uma Estrela) e adaptado do romance de mesmo nome da escritora de literatura infantil Lauren Oliver, vai buscar a resposta no último dia da jovem Samantha. Vivida por Zoey Deutch (Dezesseis Luas), a protagonista reavalia suas ações até que se veja transformada como pessoa.

A fórmula para essa transformação já é conhecida e esteve ali em Feitiço do Tempo e, mais recentemente, em A Morte te Dá Parabéns. Aqui, tem o vigor e as situações típicas da adolescência d o segundo, e a gradual conscientização e amadurecimento do primeiro. Ainda encontra espaço para abordar questões como o bullying, amizades tóxicas, relações familiares, entre outras coisas.

Antes que eu vá (2017)

Russo-Young contorna bem a primeira grande dificuldade de um filme que se baseia na repetição, numa boa mescla de novos eventos àqueles já conhecidos e em muitas e necessárias elipses. A diretora também segura bem as atuações, embora os personagens nem sempre sejam interessantes ou algo além do estereótipo, como a Lindsay de Halston Sage (Fica Comigo), uma espécie de Regina George sem humor ou profundidade, que se apresenta apenas pelo que os outros personagens revelam.

O incômodo com determinações que chegam narradas é bastante forte. “Você fez uma linha de esmalte no chão”, diz a pequena irmã para explicitar a relação quebrada de Samantha com a mãe, em um método que faz parte de quase todas as determinações e esclarecimentos do filme. E este não é o único problema de Maria Maggenti, na adaptação do livro. Com resquícios de autoajuda, há personagens sem função narrativa, enquanto falta atenção aos que deveriam ter. Desequilibrado na dedicação ao ambiente escolar, opta por relevar a relação domiciliar, mas não deixa de usar isso quando convém.

Antes que eu vá (2017)

Há outras questões que estão além do roteiro. “Estou em um inferno heteronormativo”, reclama a personagem Anna (Liv Hewson, de O Escândalo). Não apenas heteronormativo, mas extremamente branco. A única personagem gay é ela e os negros são extras que não tem qualquer atenção. O único que tem falas é Patrick (Keith Powers, de Straight Outta Compton: A História do N.W.A.), o namoradinho de Lindsay, objetificado como o brinquedinho sexual da jovem.

Porém, Antes Que Eu Vá até consegue sobreviver aos seus tropeços por ser um tipo de narrativa que tem um charme natural, como qualquer coisa que se relacione com o tempo, seja nas alegóricas viagens da ficção científica ou nas alterações e repetições que vemos aqui. O filme também consegue encontrar um ritmo envolvente com a montagem de Joe Landauer (Sem Segurança Nenhum), em seu trabalho mais apurado, e na transformação de Sam, criando um vínculo que conduz o espectador ao sentimento esperado.

Um Grande Momento:
O dia com a irmã.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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