Crítica | Streaming

Predadores Assassinos

(Crawl, EUA, SRB, CAN, 2019)

  • Gênero: Ação
  • Direção: Alexandre Aja
  • Roteiro: Michael Rasmussen, Shawn Rasmussen
  • Elenco: Kaya Scodelario, Barry Pepper, Morfydd Clark, Ross Anderson
  • Duração: 87 minutos
  • Nota:

Há filmes em que aquilo que é ofertado é exatamente aquilo que se espera deles. Predadores Assassinos é um desses. Se o título em brasileiro é mais preciso na intenção da produção, o original “Crawl” se entrega logo no primeiro trocadilho: numa piscina uma nadadora treina para os 100 metros livres, nadando crawl.

Assinado por Alexandre Aja, diretor de terror responsável pelo Piranha de 2010, o longa não contraria as características do diretor. Por vezes bem filmado e apoiado em uma trama batida de recuperação familiar, o que interessa ali é causar incômodo e tensão. Ao mesmo tempo em nada do que se desenrola é inesperado, para não dizer óbvio mesmo, o thriller è extremamente bem calculado.

Kaya Scodelario em Predadores Assassinos (Crawl)

Seja em jump scares realmente inesperados até a relação com o(s) monstro(s) da vez, Aja sabe como trabalhar numa linha de ansiedade crescente. Tendo como pano de fundo um desastre natural, ele se aproveita bem dos espaços, fazendo com que estes, por si só, tenham seu papel no incômodo causado. Ele também vai lá e pede aquela ajudinha para a trilha e, para completar, traz essa concretização do medo nos enormes e numerosos animais.

Como se pode ver, não é nada diferente do que um filme-catástrofe com animais assassinos poderia oferecer. É aquela coisa de que um filme tem o papel e a atenção quando se analisa o contexto, para que serve. E Predadores Assassinos é uma ótima prova disso. Não se espera elaboração, um grande roteiro, mas sim uma diversão passageira, mas eficiente naquilo que se propõe: assustar.

Berry Pepper em Predadores Assassinos (Crawl)

Obviamente, uma análise aprofundada, principalmente do roteiro escrito por Michael e Shawn Rasmussen (Aterrorizada), com reviravoltas melosas e desnecessárias na relação entre os personagens, ou em suas constituições, vai demonstrar toda a insuficiência do filme. Mas é justamente aí que está o mérito de Aja, ele não se apega à determinação de caráter ou de conexão. O seu interesse é única e exclusivamente fazer com que aquele universo encontre sentido na urgência.

É uma postura que contraria muitas das reações ao cinema artificial adorado pelos autoristas vulgares, onde ainda há uma certa preocupação de validação de tramas frouxas e insólitas. Aqui entre nós, quem está ligando para qualquer outra coisa quando tubarões estão atacando por todos os lados e você está ilhado? É nesse lugar que o diretor chega e faz de Predadores Assassinos um exemplar extremamente eficiente, mesmo que descartável.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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