(La promesse de l’aube, FRA, 2017)
Drama
Direção: Eric Barbier
Elenco: Pierre Niney, Charlotte Gainsbourg, Pawel Puchalski, Némo Schiffman, Didier Bourdon, Jean-Pierre Darroussin, Catherine McCormack, Finnegan Oldfield
Roteiro: Romain Gary (romance), Eric Barbier, Marie Eynard
Duração: 131 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Roman Kacew ou Romain Gray, como ficou conhecido, foi um dos grandes escritores da França. Com livros publicados em seu nome e sob vários pseudônimos, ganhou duas vezes o Prêmio Goncourt – por seus “As Raízes do Céu” e “A Vida à sua Frente”, este como Émile Ajar – e teve uma produção literária bem diversificada. Piloto condecorado da Força Aérea Francesa, foi durante durante a Segunda Guerra que escreveu seu primeiro romance: “L’Éducation européenne”. Grey ainda ocupou o cargo diplomata, além de se aventurar no cinema, como diretor.

Sua autobiografia, “Promessa ao Amanhecer”, foi publicada em 1960 e buscava as origens do escritor desde seu nascimento em Vilna, cidade que passou anos sendo disputada e ocupada pela Polônia, Rússia e União Soviética e é a atual capital da Lituânia; à deportação para Moscou e migração para a França. O condicionamento de sua vida à figura da mãe, Mina, uma mulher forte que depositava todas as esperanças no filho único, é o ponto central do livro.

O longa-metragem de Eric Barbier é a segunda adaptação do romance para o cinema. Enquanto a primeira, dirigida por Jules Dassin, é mais alegórica, criativa e pontuada por algumas inserções aleatórias de tempos narrativos diferentes, a versão de Barbier é mais literal e quadrada na recriação da história. Após apresentar o protagonista, já adulto no México, sua história é narrada como se seguindo a leitura do livro que serve de base à adaptação.

Segue-se a trajetória de mãe e filho, os muitos percalços enfrentados pelos dois e as superações, sempre calcadas na esperança e nas cobranças da mãe. Barbier, diferente de Dassin, não dedica tanto tempo ao lado artístico de Mina e volta-se mais à empresária e gerente para construir aquela que, ao mesmo tempo, será a inspiração e a obsessão, a força e a fragilidade de Romain. O que se vê é uma relação que, embora baseada no afeto mais puro, está o tempo todo oscilando entre a expectativa e a frustração.

A dinâmica da relação é o ponto alto do filme e só alcança esse destaque pelas atuações corretas de Pawel Puchalski, Némo Schiffman e Pierre Niney como Romain em suas várias fases de vida e, principalmente à Charlotte Gainsbourg como Mina. A atriz, que foi indicada ao César pelo trabalho, encontra-se deslocada dos papéis habituais ao encontrar uma personagem afetada e acima do tom, mas faz um trabalho impressionante e confere credibilidade àquela mãe, por mais exagerada que ela seja.

Além disso, Promessa ao Amanhecer tem uma produção apurada, com uma boa recriação de época. A fotografia, assinada pelo belga Glynn Speeckaert também chama a atenção ao demarcar os vários locais por onde Romain esteve e seus momentos.

O roteiro, uma adaptação do próprio Barbier e Marie Eynard, consegue, em um bom recorte, costurar os eventos, e passeia bem entre gêneros ao ilustrar a vida de Gray, do romance do primeiro amor à ação no retorno à Força Aérea; do melodrama na despedida à comédia na conspiração de assassinato. Embora peque em obviedades, principalmente na terceira parte do filme, encontra a fluidez.

Promessa ao Amanhecer traz uma história interessante e, embora pudesse ser um pouco mais ousado e menos afeito a certo classicismos, sabe como destacar seus pontos positivos para durar mais do que seu tempo de projeção.

Um Grande Momento:
A conspiração do assassinato

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Crítica originalmente publicada na revista Lume Scope.