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Quanto Mais Quente Melhor

(Some Like It Hot, EUA, 1959)

Existem filmes que não envelhecem nunca e, mesmo que alguns elementos técnicos já estejam ultrapassados, evolvem de certa maneira seus espectadores que o tempo deixa de ser um inimigo e se torna um aliado.

Assim é a comédia Quanto Mais Quente Melhor. Considerada um dos melhores filmes do gênero em todos os tempos, a história chega às telas não só fazendo rir, mas anunciando que os tempos no cinema estavam mudando. Como diz o crítico Celso Sabadin: “Era o ponto final dos ingênuos anos 50. Era o prenúncio dos quentes e liberais anos 60.”

No início dos anos 30, dois músicos muito amigos presenciam a execução de um mafioso em Chicago e, para não serem mortos, disfarçam-se de mulher e vão tocar em uma orquestra feminina. Joe vira Josephine e Jerry, Daphne e, em pouco tempo, ficam muito “amigas” de Sugar Kane, a cantora que gosta mais do que devia de uma caninha e quer conquistar um milionário.

O roteiro de I. A. L. Diamond e do próprio diretor Billy Wilder é muito inteligente. Com diálogos sempre interessantes e muita coisa a ser pescada nas entrelinhas.

O elenco também é fundamental para o filme. Sugar Kane é vivida por Marilyn Monroe, que tinha muita dificuldade em decorar falas e não é a melhor atriz do mundo, mas é linda como ninguém nunca foi e, mesmo que sua voz não seja perfeita, conquistou muito marmanjo por aí com a música “I Wanna Be Loved By You”.

Tony Curtis dá vida ao saxofonista Joe e faz rir tanto com sua tentativa frustrada de ser uma bem comportada Josephine, como com seu Junior, um milionário de meia-tigela. Mas quem domina todas as cenas em que aparece é mesmo Jack Lemmon. Seu Jerry disfarçado de Daphne é um dos papéis mais memoráveis do cinema.

A estrutura de comédia musical é mantida e os números estão sempre muito bem justificados com os shows da orquestra feminina.

Em nenhum momento o filme apela para a graça fácil e boba dos pastelões. Ainda que vejamos dois homens vestidos de mulher – no caso, Wilder preferiu filmar em preto e branco justamente para a maquiagem não ficar mais engraçada do que deveria – não existe qualquer tipo de apelação e, muito menos, preconceito.

Daqueles filmes obrigatórios para todos os que gostam de cinema. Para ser visto mais de uma vez e se existir algum meio de conferir na telona, não perca a oportunidade. Vale realmente muito a pena.

Um Grande Momento

Em uma lancha, as duas últimas falas.

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Oscar
: Direção, Roteiro Adaptado, Ator (Jack Lemmon), Direção de Fotografia em Preto e Branco (Charles Lang), Direção de Arte em Preto e Branco (Ted Haworth, Edward G. Boyle), Figurino em Preto e Branco (Orry-Kelly)
BAFTA: Filme, Ator Estrangeiro (Jack Lemmon)
Globo de Ouro: Filme – Comédia, Ator – Comédia e Musical (Jack Lemmon), Atriz – Comédia e Musical (Marilyn Monroe)

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Submarino

Comédia
Direção: Billy Wilder
Elenco: Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon, Joe E. Brown, Joan Shawlee, Dave Barry, Billy Gray, George Raft, Pat O’Brien
Roteiro: Robert Thoeren, Michael Logan (história), Billy Wilder, I. A. L. Diamond
Duração: 120 min.
Minha nota: 10/10

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

4 Comentários

  1. Cecília, genial é pouco pra classificar esse filme. Billy Wilder era um gênio e sabia se cercar de bons atores. Morro de rir só de lembrar os trejeitos da dupla, principalmente do Tony Curtis. Ao lado de A Vida de Brian, é uma de minhas comédias favoritas… abs.

  2. Apesar de ser um clássico inegável, ainda não tive oportunidade de conferir esse. Mas sempre tive muita curiosidade, especialmente pela Marilyn Monroe.

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