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Resident Evil: Bem-Vindo a Racoon City

Esforçado, mas vazio

(Resident Evil: Welcome to Raccoon City, CAN, ALE, 2021)
Nota  
  • Gênero: Terror
  • Direção: Johannes Roberts
  • Roteiro: Johannes Roberts
  • Elenco: Kaya Scodelario, Hannah John-Kamen, Robbie Amell, Tom Hopper, Avan Jogia, Donal Logue, Neal McDonough
  • Duração: 107 minutos

O que aconteceu em Racoon City entre o Incidente na Mansão e a destruição da cidade para a contenção de danos? Resident Evil: Bem-Vindo a Racoon City volta com Claire Redfield ao local e às Montanhas de Arklay para acompanhar os eventos em mais um título da rentável franquia derivada do game. Agora apenas produzido por Paul W.S. Anderson, pai da série no cinema e diretor de cinco de seus filmes, o longa pode ser considerado como não-canônico já que foge da mitologia criada pelo cineasta para a adaptação, eliminando inclusive sua principal figura, Alice, e volta-se mais para os eventos do jogo e seus personagens originais.

Apesar de uma mudança aqui e outra ali e do relativo novo contexto — além do básico, há uma história por trás do retorno de Claire à cidade onde fica o orfanato no qual ela cresceu e de onde o irmão nunca foi embora –, não há nada de novo no filme assinado por Johannes Roberts, diretor do fraco mas angustiante Medo Profundo e da continuação meia-boca de Os Estranhos. Há um começo que indica o thriller e, para quem já viu qualquer coisa relacionada a RE, o mesmo andamento da trama, com revelação de zumbis, perseguições, mordidas, contaminações, tiros e explosões, com direito inclusive a um licker.

Resident Evil: Bem-Vindo a Racoon City
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Bem-Vindo a Racoon City, porém, tem uma certa elegância no modo como chega até o habitual. Há um cuidado perceptível com a composição cênica, com as cores, a arte e a disposição dos elementos no quadro. A apresentação do orfanato, por exemplo, em todo o seu vermelho, é vistosa e, com um uso interessante da trilha, atrai a atenção do espectador. A fotografia do belga Maxime Alexandre (Predadores Assassinos), aqui e em vários outros momentos do filme, é inspirada e tem um papel fundamental na manutenção da tensão.

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Porque é muito difícil fazer com que o interesse se mantenha quando o que se vê já foi visto tantas vezes antes. Mesmo que seja outra abordagem, com alguns nomes e rostos diferentes, tudo o que está em tela é muito familiar, inclusive o modo de se trabalhar a adrenalina. Até mesmo os momentos de respiro/revelação — e como é terrível quando se tenta explicar o passado do lugar — parecem seguir os passos de uma velha receita onde os ingredientes jamais podem ser utilizados fora da ordem. É quando a opção por passagens onde falta espaço ou a luz vem de rajadas faz a diferença.

Resident Evil: Bem-Vindo a Racoon City
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Resident Evil: Bem-Vindo a Racoon City acaba sendo um filme de bons momentos que seguram aquela trama surrada. Há um interesse pelo que se vê, uma habilidade gráfica e sensorial inegável, mas falta despertar aquela vontade de mergulhar e acreditar naquela história, mesmo que seja só nos pouco mais de 100 minutos em que estamos diante da tela. Num universo tão conhecido e cheio de fãs, essa não deveria ser uma tarefa difícil, mas, infelizmente, não se concretiza. Parece que nesse retorno às Montanhas de Arklay faltou aquilo que sobra nos exemplares de W.S. Anderson, por mais toscos que eles sejam: a paixão por aquilo que se conta e a vontade de deixar a sua marca. 

Um grande momento
Saindo da delegacia

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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