(Sequestro Relâmpago, BRA, 2018)
Suspense
Direção: Tata Amaral
Elenco: Marina Ruy Barbosa, Sidney Santiago, Daniel Rocha, Che Moais, João Signorelli, Malu Bierrenbach, Danilo de Moura, Linn da Quebrada, Projota
Roteiro: Tata Amaral, Tata Amaral, Marton Olympio
Duração: 90 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

O Brasil é um país que abandona, afasta, repele. Pela exclusão cria ilusões sociais. Mesmo responsável pelo abismo que expõe a falta de responsabilidade, interesse e ação quer eximir-se da reação que causa. Esta percepção é o pano de fundo de Sequestro Relâmpago, thriller de Tata Amaral em cartaz nos cinemas.

Baseado na história real de Ana Beatriz Elorza, o filme dedica-se a um cinema de gênero pouco habitual por aqui. Tem um começo interessante, embora engessado, quando define o espaço onde se desenvolverá boa parte do filme; perde-se bem em alguma altura, e tem no final forte e potente o seu melhor momento.

É interessante o modo como a diretora, com a ajuda da fotografia de Carlos André Zalasik, constrói visualmente a contradição entre o sufocamento da situação e a amplitude da metrópole. Nesse caminhar dos planos apertados, muitos que não comportam sequer os personagens, e planos mais profundos, onde se vê o trânsito e a solidão da cidade, o filme encontra um lugar interessante, que alcança o cinema em sua forma mais pura.

Porém, mesmo que imageticamente chegue ao lugar desejado, há um desacerto no roteiro difícil de superar. Além de falas equivocadas, que exaltam a alienação de toda uma classe média, a inverossimilhança de alguns eventos enfraquece qualquer outro esforço por um resultado melhor. Se a representação, de princípio, já estava reforçando estereótipos excludentes, os diálogos, como o em que Isabel se compara aos sequestradores ou o do ajudante de Edinho sobre a televisão, são absurdos. Algumas passagens, como a da hamburgueria, de referência evidente, ou a do vigilante do shopping, provocam um descompasso que não se reverte.

Aliás, há um desacerto muito evidente entre todas as passagens externas. A tensão real que se consegue construir dentro do carro de Isabel, com o jogo de câmera e a confusão de papéis e posições dos personagens, não se mantém nenhuma vez quando os três estão juntos fora daquele ambiente. A quebra, que acontece algumas vezes, despersonaliza o trio e, com isso, faz com que a atenção neles se perca.

Essa inconsistência dos personagens, que variam de facetas e comportamentos, é o que acaba chamando mais atenção no roteiro. Há ainda um desequilíbrio notório nas três atuações. Enquanto Sidney Santiago se sai bem como o “bandido bom” e Marina Ruy Barbosa entregue uma atuação funcional, Daniel Rocha, o “bandido mau”, acaba se perdendo no exagero constitucional do próprio personagem.

Ainda que Sequestro Relâmpago consiga encontrar um trajeto seguro para o desenvolvimento da tensão e ela se mostre eficiente à espera do desfecho, os muitos equívocos – em questões bem sensíveis – enfraquecem a experiência.

Um Grande Momento:
O final.

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