Crítica | Cinema

Sonic 2 – O Filme

Pega-varetas animado

(Sonic the Hedgehog 2, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Aventura
  • Direção: Jeff Fowler
  • Roteiro: Pat Casey, Josh Miller, John Whittington
  • Elenco: Ben Schwartz, Idris Elba, Colleen O'Shaughnessey, Jim Carrey, James Marsden, Natasha Rothwell, Shemar Moore, Adam Pally
  • Duração: 122 minutos

Nesse vale tudo para ganhar dinheiro, das páginas das histórias em quadrinhos às franquias infinitas dos grandes blockbusters é óbvio que chegaríamos também aos maiores sucessos do universo dos games. Do mundo de Sega, um ouriço (ou porco-espinho) azul ultra veloz chamado Sonic, criado no início dos anos 1990 e já adaptado para outros meios, chegou ao cinema. Há todo um peso por trás do animalzinho extraterrestre que vira uma bola e atinge altas velocidades, já que ele é um dos ícones desse universo gamer. Mas será que tem ali história para um filme? Em cima de um roteiro básico de novo lar, com família e vilão impossível, a animação 3D e a presença de nomes como Jim Carrey (de O Máskara, Todo Poderoso e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) e James Marsden (do primeiro X-Men e Hairspray: Em Busca da Fama) tentam trazer esse interesse, mas nada realmente chama a atenção. Sem personalidade, a sensação é a de que qualquer jogo poderia estar por trás daquilo, de um mal adaptado RPG a pega-varetas.

E eis que, mesmo assim e comprovando que nada disso importa mesmo, chega agora aos cinemas Sonic 2 – O Filme. O roteiro, assinado novamente por Pat Casey e Josh Miller, recauchuta sem pudor tudo o que consegue do filme anterior e o que traz de melhor é exatamente aquilo que não tem nada a ver com o peludo azul e Dr. Robotinik, o fanático psicopata que o persegue, nem com as varetas vermelha e amarelo, que se liberam para movimentação no jogo. É que agora Knuckle e Tails são incorporados à trama. O que tem alguma graça no final das contas é o espaço que dão a Natasha Rothwell e sua personagem Rachel. Não que seja nada grandioso, mas ali em meio ao nada, se destaca.

Sonic 2 - O Filme
Paramount Pictures e Sega of America Inc

Carrey, que já anunciou que esse seria seu último trabalho no cinema, também não se esforça muito para ir além do que já conhecemos e aqui nem mesmo os lampejos de que estava se divertindo dando vida ao vilão que surgiam aqui e ali no filme anterior dão as caras. Tudo é muito forçado e mal encaixado, pouco funcional. Knuckle, coitado, tem uma tentativa de background sem sentido, assim como todo o seu arco na trama, e Idris Elba dublando o personagem, não tem q de mudar isso. Tails ainda tem a fofura e aquele lampejo dos fãs,  mas nada que perdure. Tudo muito difícil para quem se propõe a ver o filme e mais ainda para quem é obrigado a escrever sobre ele, sem ter muita coisa a dizer. 

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Apesar das cores, da velocidade e dos personagens conhecidos, Sonic 2 – O Filme é o mais puro e descarado produto caça-níquel. Aquele filme que só existe porque muitas moedas (oi, Nintendo) caíram na conta daqueles que produziram o primeiro filme. Não tem inovação, função e ainda deixa a impressão de que parte da equipe queria estar fazendo uma coisa completamente diferente. Sim, podem investir na comédia romântica policial, tem mais chance de dar certo. Quanto às adaptações do game, não acabaram. Cenas pós-créditos anunciaram que novas varetas vêm aí.

Um grande momento
Noiva em fúria

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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