Crítica | Streaming

The Box: No Ritmo do Coração

(The Box, KOR, 2021)
Nota  
  • Gênero: Drama
  • Direção: Yang Jeong-Woong
  • Roteiro: Yang Jeong-Woong
  • Elenco: Dal Hwan Cho, Park Chan-Yeol
  • Duração: 94 minutos

Esse ano a Netflix estreou um filme coreano pop musical chamado Wish You, que ainda tinha uma temática gay pra agregar ainda mais elementos à salada. Dessa vez, o Telecine Play vem com uma resposta a essa invasão da Coreia do Sul no Brasil, com a super estreia de The Box: No Ritmo do Coração, filme que ganhou como subtítulo aqui o título nacional de CODA – sim, ambos terão corações bem ritmados. Piadas fora, o streaming nacional marca um ponto suave onde a gigante das plataformas não conseguiu, com uma produção leve, afetuosa, cheia de boas intenções e um prato cheio pra toda família. Perfeito? Longe disso.

O filme estreou no primeiro trimestre deste ano no país e também funciona como um veículo do astro pra toda obra Park Chan-yeol, ou simplesmente Chanyeol, que integrou a banda de k-pop EXO e aqui mostra sua versatilidade como ator, cantor, compositor, multi-instrumentista… protagonizando um filme cujas intenções são divertir e emocionar com muita leveza. O filme não entra em temas que poderiam ser minimamente pesados como depressão, alcoolismo e afins, para focar na história de superação e amizade entre um produtor musical caído em desgraça e uma jovem promessa descoberta por ele na guarita de um estacionamento.

The Box: No Ritmo do Coração

Esse primeiro encontro já apresenta o conceito da premissa, porque o protagonista é ouvido pela primeira vez dentro de uma caixa, ainda que de concreto. O filme então se desenvolve ao redor dessa ideia: o jovem Ji-Hoon, apesar de extremamente talentoso, tem síndrome do pânico e não consegue se apresentar em público. Com isso, o experiente produtor Min-Soo tem a ideia de reproduzir essa seu contato inicial nos palcos, ao colocar seu protegido no palco dentro de uma caixa de geladeira, e a magia se faz. A impressão que o jovem cantor causa nas plateias é sempre muito evidente, e o filme acompanha os dois em um turnê modesta de apresentação e teste.

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O problema de The Box é o seu excesso de leveza. Simplesmente o conflito do filme se resumem às tentativas de Ji-Hoon vencer seu desconforto e conseguir se apresentar ao vivo, sem nem ao menos se aprofundar nessa questão. Claramente é um problema, é grave, causa sofrimento ao protagonista, mas não é evidenciado pelo roteiro, que mantém tudo em um lugar de elevação espiritual e emocional, sem investigar suas causas. Nem as dele nem aprofundar os dilemas de seu produtor, que era um grande nome da indústria, caiu em um limbo profissional e o filme também não se preocupa com isso – na verdade essa trama é um risco no roteiro, traçado muito rápido e sem qualquer relevância.

The Box: No Ritmo do Coração

Com isso, o filme entretém e encanta uma cena ou outra, com sua trilha sonora arrebatadora (a cena de “What a Wonderful World” é especialmente emocionante), mas não consegue criar um laço superior com o cinema porque sua proposta é não incomodar ou ferir suscetibilidades de qualquer ordem. O filme gira em torno de uma ideia instigante, super promissora, mas que não rende nada além do que suspiros de emoção, e algum humor pontual. Na classificação geral, não correr risco algum é um perigo para uma produção, a não ser que sua intenção seja não adicionar qualquer tempero à sua massa.

Carismáticos, tanto Chanyeol quanto Cho Dal-hwan seguram o filme com suas presenças luminosas, que o filme aproveita cada segundo de suas personas. Mas são muitas oportunidades desperdiçadas por um projeto inofensivo demais e que corre livre para não se comprometer com qualquer outra questão, se não o escapismo puro e simples. É pouco. As belas apresentações musicais do protagonista e os caprichados valores de produção mereciam o estofo que é negado por The Box do início ao fim.

Um grande momento
My Funny Valentine

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Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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