Crítica | Outras metragens

A Fome de Lázaro

Dos cães e dos homens

(A Fome de Lázaro, BRA, 2020)
Nota  
  • Gênero: Documentário
  • Direção: Diego Benevides
  • Roteiro: Diego Benevides
  • Duração: 17 minutos

Você que alcançou, pela fé e pelo amor, a salvação da sua carne, peça por mim, ao Suave Jesus que me salve também.
Assim como Marta e Maria pediram por você, de joelhos, eu rogo, São Lázaro, me ajude nas horas tristes, me ampare em minhas dores e livre meu corpo e meu espírito de toda e qualquer doença, de todo e qualquer mal.
Amém.

Monteiros, interior de Paraíba. É lá que Diego Benevides mergulha sua câmera, faz com que ela se torne parte da comunidade. O público mergulha com ele em uma viagem de conhecimento e descoberta. Na realidade seca, acompanhamos o dia a dia daquelas pessoas sem saber onde vamos chegar.

Observar e seguir, a matilha, os homens. Pequenos e grandes gestos. Alguns se repetem, outros são inéditos. Mas não há novidade, ou tudo aquilo é novo? Não se sabe ao certo. Cortes e texturas, afastamentos para enquadrar a procissão, aproximação para tentar captar uma conversa que nunca existirá.

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A câmera não é mais um objeto, somos nós. Não assistimos, estamos integrados, sentimos o ambiente. Vivemos aquela realidade ainda que não saibamos o que dela esperar e levamos os cães ao banquete em homenagem àquele que os protegeu e que nos protege das doenças.

O homem das chagas, ressuscitado por Jesus. A fé toma conta da tela numa espécie de transe e a comunhão dos nossos iguais, aqueles com quem passamos tanto tempo juntos, os nossos próximos. Tudo passa a fazer um outro sentido. 

Depois do cumprimento, o reencontro com o cotidiano. Recolher, juntar, voltar ao que se tem e ao que se pede. Recomeçar o ciclo. E dividir de novo do jeito que sempre se fez, por debaixo da mesa. É a hora de dizer adeus.

Um grande momento
Entender o estar ali

[49º Festival de Cinema de Gramado]

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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