Crítica | Festival

Tubarões Voadores

(Sky Sharks, ALE, 2020)

  • Gênero: Terror, Ficção Científica
  • Direção: Marc Fehse
  • Roteiro: Carsten Fehse, Marc Fehse, A.D. Morel
  • Elenco: Naomi Grossman, Tony Todd, Cary-Hiroyuki Tagawa, Lar Park-Lincoln, Robert LaSardo, Amanda Bearse, Dave Sheridan, Barbara Nedeljakova, Eva Habermann, Mick Garris, Lynn Lowry, Travis Love
  • Duração: 110 minutos
  • Nota:

Você deve lembrar como funciona aquele negócio de filme tosqueira. A gente olha, sabe exatamente o que vai encontrar, sabe que vai ser zoado, mas segue em frente mesmo assim. Tubarões Voadores se enquadra perfeitamente na categoria. Com um nome desses, como não, não é mesmo? Dirigido pelo alemão Marc Fehse, do divertido e agitado Sex, Dogz and Rock n Roll, o filme já diz ao que veio logo de cara.

Tudo começa em um avião, com passageiros impacientes, medrosos e sem noção, que é atacado por um bando de tubarões assassinos conduzidos por zumbis nazistas, porque sim. Tipo resposta de mãe, não tem explicação e é isso mesmo. Bom, mesmo que não exista motivo dentro da narrativa, ele é óbvio aos que veem o filme: demonstrar que eis ali um splatter em sua acepção mais pura, com toda as possibilidades de mutilação de corpos e perda de sangue imagináveis.

Tubarões Voadores

Apelativo na profusão sanguinolenta, o longa também exagera nas cenas que envolvem corpos femininos, num fetiche que, mesmo habitual nesse tipo de história, consegue sempre se superar bizarramente. Juntando tudo isso, uma trama que não está muito preocupada em elaboração. A premissa é divertida nessa mistura de tubarões voadores e zumbis nazistas e, no final das contas, quem escolhe assistir ao filme, está preparado para tudo que vem pela frente.

Fehse bebe na fonte da mitologia zumbi, trazendo a ameaça para dentro do núcleo que pode combatê-la. Indo e voltando no tempo, explica a criação do exército de mortos-vivos que, aqui, existe para servir a um propósito de dominação, numa indicação também já conhecida na ficção. Entusiasmado com as possibilidades visuais, ele ignora questões básicas, como o deslocamento entre lugares, fugindo de qualquer aproximação verossímil, se é que com um plot desses alguém esperasse algo assim.

Tubarões Voadores

A trama do cientista maluco nazista arrependido, a relação com as filhas, o modo como ele enxerga a velhice, suas bugigangas para melhorar a saúde e a maquiagem – não podemos esquecer a maquiagem – dão motivo para o humor involuntário. Já as cenas de ação são bem pensadas, numa mistura de computação gráfica – uma especialidade do diretor – e coreografias, e vão além do riso, causando aqui e ali a tensão esperada.

No final das contas, Tubarões Voadores entrega exatamente aquilo que promete. Não dá para acreditar em absolutamente nada do que se vê, mas também não dá para não se divertir com toda sua tosquice e reviravoltas atrapalhadas. Para quem gosta de splatters sem sentido, é uma boa pedida, sem dúvida.

Um grande momento
O primeiro ataque.

[10º Cinefantasy]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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