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Verão de 84

(Summer of 84, EUA/CAN, 2018)
Suspense
Direção: François Simard, Anouk Whissell, Yoann-Karl Whissell
Elenco: Graham Verchere, Judah Lewis, Caleb Emery, Cory Gruter-Andrew, Tiera Skovbye, Rich Sommer, Jason Gray-Stanford, Shauna Johannesen, William MacDonald, Harrison Houde, Aren Buchholz, Susie Castillo
Roteiro: Matt Leslie, Stephen J. Smith
Duração: 105 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Estamos de volta aos anos 1980, mais precisamente ao verão de 84 num subúrbio dos Estados Unidos, com Ronald Reagan na presidência e Guerra Fria, época de medo e paranoia instrumentalizados para manipulação e controle social.

É neste subúrbio, sem muitas coisa para fazer e tempo livre de sobra, que um grupo de adolescentes embarca na paranoia de que um vizinho é um serial killer, responsável pelo desaparecimento de 13 meninos na região. Voltando à clássica dúvida sobre o que acontece dentro da casa ao lado, já presente no cinema pelas lentes de Alfred Hitchcock, Mark Pellington, Joe Dante, D.J. Caruso, entre outros.

A abordagem dos canadenses François Simard, Anouk Whissel e Yoann-Karl Whissel encontra no sentimento de confinamento – não na impossibilidade física de locomoção – sua força motriz. Aqueles adolescentes estão, em toda sua agitação e imaginação, “presos” em um lugar onde não há muito a se fazer. Não são mais crianças a ponto de preencher o cotidiano com fantasia, nem adultos a ponto de não se perderem naquilo que criam em suas cabeças.

O longa se aproveita bem da nostalgia. Tudo em tela remete a algo já visto anteriormente, em cores, sons e tensão, o que facilita a imersão na história contada. Porém, uma falta de parcimônia no apego e duração de algumas cenas faz com que o ritmo se perca, tornando algumas sequências repetitivas e arrastadas.

Apesar disto, o longa conta com um roteiro interessante, que sabe desenvolver seus personagens e mergulha efetivamente na dualidade entre imaginação/ócio e realidade/ação, trazendo questões como a vida no subúrbio, adolescência, psicopatia, manipulação e paranoia. O elenco infanto-juvenil entende bem o que o texto pede e, bem dirigido, cativa o público.

Não vai ser uma experiência inesquecível, mas Verão de 84 vai levantar boas questões, envoltas naquele tom saudoso, que deixa tudo mais curioso. Um bom jeito de voltar a uma época que se conhece tão bem.

Um Grande Momento:
Na casa.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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