[box](Vermelho Russo, BRA, 2016)
Drama
Direção: Charly Braun
Elenco: Martha Nowill, Maria Manoella, Soraia Chaves, Esteban Feune de Colombi, Elena Babenko, Michel Melamed, Mikhail Troynik
Roteiro: Martha Nowill, Charly Braun
Duração: 90 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆[/box]

Algo interessante na arte é a capacidade que uma linguagem tem em interagir com outras a ponto de não saber quais são os limites entre elas. Vermelho Russo vai buscar na encenação, técnica comum ao teatro e ao cinema, seu motivo de existir. A história vem do diário de Martha Nowill, que depois de 7 anos dos eventos, foi adaptado para se tornar o roteiro desse misto de documentário e drama que é o filme.

Entre tantas fronteiras ultrapassadas, de linguagem, arte ou da própria metalinguagem, está a história simples de duas atrizes que resolvem partir em uma viagem para a gelada Rússia para estudar o método Stanislavski. Enquanto encenam Tchecov e andam por Moscou, elas vão redescobrindo a relação entre elas e até a si próprias.

Há um casamento entre personalidades dentro e fora do texto e, o mais curioso, há uma relação de atuação com algo que é tão particular a cada uma das atrizes. Além da encenação técnica, existe a encenação pessoal da autodescoberta. Quase um redescobrir-se novamente.

A experiência é ousada e para que funcionasse a afinação das atrizes com a proposta era fundamental. E Maria Manoella e Martha Nowill entregam-se completamente. Detalhe aqui para Nowill que vive, escreve, adapta e encena, em várias camadas do reviver. Outra presença que se torna real é a de Charly Braun, o diretor. Inconformado por não filmar a viagem das duas quando aconteceu, fez a adaptação tornar-se realidade e arrumou um jeito de colocar-se em cena, com a ajuda do ator Esteban Feune de Colombi.

Embora tenha personagens satélites interessantes, o que se destaca mesmo no filme são as duas amigas, algo que o trabalho de montagem faz questão de destacar ainda mais. E como é bom vê-las em cena, como é bom perceber as nuances de cada sentimento, de cada sensação.

Vermelho Russo é um trabalho delicioso sobre pessoas, relacionamentos e a própria arte. Algo que vai crescendo a cada nova camada que se descobre aos olhos do espectador. Para ver e viajar sobre.

Um Grande Momento:
“Como a gente dividiu os papéis?”

Links

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