Crítica | Streaming

Xtremo

Ação para quem é de ação

(Xtremo, ESP, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ação
  • Direção: Daniel Benmayor
  • Roteiro: Teo García, Teo García, Ivan Ledesma
  • Elenco: Teo García, Óscar Jaenada, Sergio Peris-Mencheta, Óscar Casas, Andrea Duro, Luis Zahera, Juan Diego, Nao Albet, Alberto Jo Lee, Isa Montalbán
  • Duração: 111 minutos

Não há melhor combustível para um filme de ação do que uma vingança. É isso que move Xtremo, filme dirigido por Daniel Benmayor (No Limite) que chega agora à Netflix. Vindo da Espanha, uma cinematografia que não tem uma tradição no gênero, o longa traz a história de Maximo, um homem que espera o momento ideal para vingar da morte de seu filho, em uma trama de máfia e poder que homenageia os clássicos dos anos 1980, com muitas citações a ídolos do passado e também elementos inspirados em blockbusters recentes.

No centro do filme está Teo García, que vive o protagonista e também é o responsável pelo argumento ao lado de Genaro Rodriguez. Habilidoso nas artes marciais, o grandalhão segue o padrão dos ícones do cinema de adrenalina: não tem muito a mostrar quando se trata de profundidade interpretativa, mas se sai muito bem nas coreografias e tem a presença de cena necessária. Assim como ele, tudo é muito consciente em Xtremo. No polo oposto, com direito a coque samurai e dedo de prata, Óscar Jaenada (Cantinflas: A Magia da Comédia), que já viveu papéis mais sérios na carreira, se entrega a um vilão completamente afetado e caricato, nada que não caiba no conjunto.

Xtremo

Além dos dois personagens, outros vão tendo algum espaço à medida que o filme avança, uns com alguma relevância na narrativa, como Maria (Andrea Duro), o jovem Leo (Óscar Casas), ou Ricardo (Juan Diego), e outros exclusivamente para destacar suas habilidades físicas e técnicas, como os capangas vividos por Sergio Peris-Mencheta, ator já com experiência internacional no gênero, e Alberto Jo Lee, o que mais esperamos ver em ação, mostrando seu taekwondo e que teria uma das melhores lutas se a admiração estivesse restrita ao outro lado da tela.

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No desenrolar das quase duas horas, uma duração excessiva, diga-se de passagem, é possível perceber uma certa demanda reprimida em Xtremo. Uma vontade de colocar num mesmo lugar tudo aquilo que não se vê no cinema local. E o filme tem de tudo um pouco. O roteiro de Ivan Ledesma tenta amarrar histórias que poderiam dar origem a pelo menos uns três filmes: a traição da família, a vingança do justiceiro solitário e o treinamento do jovem perdido. Claro que nem tudo consegue se ajustar a contento, mas a ação em si acaba dando um jeito de fazer o tempo gasto valer a pena.

Há ainda uma crueza nas imagens e uma certa inexperiência com o tratamento visual, mas algo que pode até certas vezes ser relevado e até mesmo entrar na cota da permissão do artificialismo conveniente. A balança também se equilibra na construção estética, em passagens marcadas por tentativas interessantes, com movimentos de câmera de Juanmi Azpiroz que dão vitalidade às lutas, e em repetições-homenagem bem intencionadas que querem lembrar Corey Yuen, Isaac Florentine, Stahelski e Leitch, Park Chan-wook e outros.

Xtremo é claramente um produto feito por amantes do cinema de ação e termina sendo um longa que sobrevive aos seus poréns por apostar suas fichas naquilo que precisa para dar certo. Se ali está a vontade de descontar todo o tempo em que o gênero não esteve tão presente nas telas espanholas, ela encontra nos espectadores, que também gostam deste tipo de filme, a disposição para descobrir as referências — na oficina, no banheiro, no tatame, nos treinos, na fábrica de metanfetamina, no duelo de katana — e a boa vontade para esperar as novas sequências de luta sem se importar muito com o que está entre elas.

Um grande momento
No banheiro

Fotos: Quim Vives / Netflix

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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