(22 July, NOR/ISL/EUA, 2018)
Drama
Direção: Paul Greengrass
Elenco: Anders Danielsen Lie, Jonas Strand Gravli, Jon Øigarden, Maria Bock, Thorbjørn Harr, Seda Witt, Isak Bakli Aglen, Ola G. Furuseth
Roteiro: Åsne Seierstad (livro), Paul Greengrass
Duração: 143 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Em 22 de julho de 2011, um atentado terrorista chocou o mundo. Poucas horas depois de uma explosão no centro de Oslo, 77 jovens que participavam de um acampamento promovido pelo Partido dos Trabalhadores norueguês foram assassinados na ilha de Utøya. O assassino era um extremista que queria extinguir o marxismo e a miscigenação promovida pelo acolhimento de imigrantes no país.

Num momento onde ondas supremacistas varrem o mundo, ressuscitando preceitos nazi-fascistas, pregando a purificação da raça e a eliminação de pensamentos à esquerda, é importante que se resgate histórias como essa. Neste ano, dois longas o fazem: Utøya 22 de Julho: Terrorismo na Noruega, que entra em cartaz nos cinemas no próximo 29 de novembro; e este 22 de Julho, dirigido por Paul Greengrass, já disponível na Netflix.

Criador do universo Bourne, Greengrass costuma levar a violência às telas como fez com Domingo Sangrento (2002), Voo United 93 (2006), Zona Verde (2010) e Capitão Phillips (2013) e usa essa experiência para construir sua versão do atentado em Utøya. O roteiro, escrito por ele, é uma adaptação do livro “Um de Nós”, de Åsne Seierstad, e segue caminhos distintos para compor a sua trama.

Cada um desses caminhos é guiado por um personagem chave: um jovem sobrevivente, o terrorista, o advogado escolhido para defendê-lo e o primeiro-ministro. Embora a ideia seja interessante e funcione no livro, ela não se realiza tão bem como deveria. A profundidade é variável e há um desequilíbrio na atenção aos personagens. O desacerto, porém, é tardiamente percebido, pois o filme conta com ótimas atuações, em especial de Anders Danielsen Lie como o fanático neonazista e Jonas Strand Gravli como o sobrevivente, o que ameniza o distanciamento.

Greengrass, como bom realizador de ação e auxiliado pela interessante fotografia de Pål Ulvik Rokseth, cria uma reconstituição do ataque competente e sufocante, o que também destoa do final, bem menos físico, por mais que busque a emoção. Somando a isso o afastamento causado pelo desacerto na abordagem dos protagonistas paralelos, 22 de Julho perde a força e termina menos impactante. Para complicar, arrisca-se em uma posição que pode ter compreensões avessas à intenção do diretor.

Porém, o valor da obra está no resgate e na exposição do ódio. Diante do movimento à extrema direita que acontece no mundo, de uma realidade de individualismo absoluto e falta de empatia, de legitimação do discurso de ódio, é importante ter contato com o que já aconteceu no mundo por causa disso.

Um Grande Momento:
Escondido no penhasco.

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