Crítica | Streaming e VoD

Fazendo meu Filme

Jovens correrias

(Fazendo meu Filme , BRA, 2024)
Nota  
  • Gênero: Comédia Romântica
  • Direção: Pedro Antônio
  • Roteiro: Paula Pimenta, Bruna Horta, Luanna Guimarães, Pedro Antônio
  • Elenco: Bela Fernandes, Xande Valois, Giovanna Chaves, Alanys Santos, Júlia Svaccina, Kiria Malheiros, Matheus Costa, Caio Paduan, Samara Felippo
  • Duração: 93 minutos

Não podia faltar a comédia romântica brasileira, depois de títulos dos Estados Unidos, da Alemanha, da Austrália (com uma pitada de China)… pois que a Prime Video coloca no ar esse Fazendo meu Filme, que originalmente iria aos cinemas e agora tem chegada apenas no streaming. Depois do que aconteceu com Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo e Chama a Bebel, talvez o melhor a ser feito tenha sido isso mesmo. Não fica muito longe de nenhum dos dois, mas como os dois têm em seu elenco seu maior trunfo, além de contar com uma verdadeira impressão de que aquelas pessoas são um grupo de amigos, ao investir na veracidade desse olhar. Como é mais um a tratar-se de um veículo exatamente para o público teen (e já está em primeiro lugar no canal), creio que as intenções foram alcançadas. 

O diretor Pedro Antônio, já comentei algumas vezes, é muito bem sucedido em mostrar obras de apelo popular com um verniz verossímil, vide Altas Expectativas, Tô Ryka e Um Tio Quase Perfeito. Mais uma vez ele volta a se comunicar com uma faixa etária menor do que o tradicional, e encontra alguma sensibilidade nesse retrato sobre o primeiro voo longo de alguém. Mesmo contra a sua vontade, a protagonista será levada a se afastar de seu habitat natural por um tempo relativamente curto, mas que entra em choque com a idade mostrada na tela. Então, é acertado dizer que Fazendo meu Filme é essencialmente uma produção a respeito da gravidade exacerbada com que tudo acontece na adolescência – e que de grave, saberemos anos depois, tinha bem pouco. 

Baseado na obra de Paula Pimenta e roteirizado por ambos, Fazendo meu Filme deixa claro inclusive que pretende ter continuações, vide a última cartela. Mas também pode ser encarado de uma maneira leve, como se a vida real tivesse continuidade ininterrupta, e tudo vai seguir mesmo, querendo ou não. Ao lado de Thalita Rebouças, Paula compreende essa sensação de urgência pela qual a adolescência é assolada, com tantas pautas a serem descobertas no espaço mais curto de tempo sempre. Encapsular essas sensações de perda constante que se acumulam tão rapidamente é um talento que está diluído entre a realização de Pedro e o texto de Paula, com ambos contribuindo para o clima de eterno desespero, uma guerra prestes a acontecer mediante a próxima espinha. 

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O pecado de Fazendo meu Filme é não conseguir se desvencilhar de um certo cansaço que se instaura diante da segunda parte, porque a própria narrativa se prende a um tema exclusivo, não quer sair dele e torna a sessão cada vez mais esvaziada dos propósitos que poderia ter. Fani não se dá conta do que está na nossa cara desde a primeira vez que botamos os olhos nos personagens: seu melhor amigo Leo é apaixonado por ela. Até aí tudo bem, não notamos mesmo o que está na nossa cara muitas vezes até depois de adultos. O que trava o filme é que, quando as situações ficam claras a todos, as situações passam a impedir a concretização dos eventos de maneira cada vez mais forçada. É um quadro fofo, sem dúvida… mas que se prolonga por tempo demais, e a paciência do espectador com um pouco mais de anos vai se esvair. 

Sabendo que não se trata de um título pensado para adultos e sim para os filhos dos mesmos, Fazendo meu Filme talvez tenha o ritmo e as angústias mesmo de tempos atrás nossos, que talvez não voltam em sensibilidade. O que nos conecta aquilo tudo que é sentido ali, é o sentido de unidade que se estabelece entre aquelas pessoas. E a verdade é que para o crítico que tem pavor de despedidas, a reta final da produção é assassina. Sem nem perceber, nos pegamos aos prantos com as mesmas encucações de Fani e seus amigos. Sim, um ano passa muito rápido, e sim, é um período de mudanças tão rápidas, que muitas vezes esse tempo passa ainda mais veloz do que imaginamos. Mas putz… como é difícil se separar de quem se ama no auge dos sentimentos!

Além disso, é ultra simpático centralizar sua história em uma personagem cujo sonho seja ser cineasta, e que o filme referende esse desejo como uma meta a ser alcançada mesmo. Está desde o título, Fazendo meu Filme também, em menor escala, é uma homenagem à cinefilia que habita em todos nós, e que muitas vezes está muito flagrante na nossa primeira idade. Que Fani consiga então ultrapassar esse primeiro passo e siga entregando para nós filmes ainda mais promissores do que a sua vida permitiu. 

Um grande momento

Um beijo que circula muitas tentativas 

Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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