Crítica | Streaming

A Cura

(A Cure for Wellness, EUA/ALE, 2016)
Terror
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Dane DeHaan, Jason Isaacs, Mia Goth, Ivo Nandi, Adrian Schiller, Celia Imrie, Harry Groener, Tomas Norström
Roteiro: Justin Haythe, Justin Haythe, Gore Verbinski
Duração: 146 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Depois de muitas aventuras familiares, Gore Verbinski finalmente retorna ao gênero que o destacou: o terror. A Cura é um filme que evoca muito da construção fantástica clássica, em temática e ambientação, mas, perdido na estética, muito mais cansa do que instiga o espectador.

A história contada é a de um executivo que só pensa em trabalho e após uma promoção inesperada é enviado a um antigo castelo transformado em asilo. Sua missão é encontrar um dos diretores da empresa onde trabalha e levá-lo de volta à cidade, para que assine uma importante fusão empresarial. Porém, ao chegar no local descobre que nem tudo é o que parece.

A sequência inicial impressiona pela elaboração estética. Verbinski sabe como fazer isso e, nesses primeiros minutos, elabora mais uma de suas peças. Além da boa construção do ritmo, o que se vê é cativante. Porém, à medida que as sequências vão se sucedendo, o visual acaba perdendo a sua força para uma trama ancorada em reviravoltas forçadas, repetitiva e sem atrativos. Embora a superfície seja muito impressionante, aquilo que se apresenta é raso e desinteressante.

Há um problema de montagem que esvazia a trama, que poderia até interessar se contada de forma mais econômica e precisa. As quase 2h30 de projeção não têm justificativa, assim como não se explica a demora para a construção do suspense principal do longa-metragem. Há muitas idas e vindas desnecessárias, explicações excessivas e apego a sequências pouco proveitosas fora do quesito estético.

Para complicar ainda mais, o desfecho assume um tom frenético que nada tem a ver com a condução arrastada até então. Esta mudança no tom do filme, que poderia gerar um interesse extra, aqui trabalha contra a obra. Primeiro por chegar em um momento onde o cansaço já domina quem o assiste, depois por explicitar ainda mais a falta de objetividade em todo o começo da obra.

O desinteresse crescente prejudica qualquer mensagem que o longa tente trazer, seja a crítica ao trabalho e ao capitalismo, seja a obsessão pelo perpétuo. Não há porque se importar com o passado daqueles personagens ou ansiar pelos caminhos que trilharão a partir dali. Tudo isso faz com que flashbacks e descobertas percam qualquer sentido e apareçam como mais um motivo para prolongar aquilo que já estava longo demais.

Mesmo que traga de volta alguns resquícios de um cinema de gênero interessante, conte com boas atuações de Dane DeHaan (Poder sem Limites) e Mia Goth (Ninfomaníaca), e seja algo surpreendente aos olhos, a falta de conexão com a história contada é fatal.

Um Grande Momento:
O acidente.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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