Críticas

A Maldição do Espelho

(Pikovaya dama. Zazerkale, RUS, 2019)
Terror
Direção: Aleksandr Domogarov
Elenco: Angelina Strechina, Daniil Izotov, Yan Alabushev, Darya Belousova, Claudia Boczar, Violetta Davydovskaya, Vladimir Kanuhin, Vladislav Konoplyov, Dmitriy Kulichkov, Tatyana Kuznetsova, Valeriy Pankov
Roteiro: Maria Ogneva
Duração: 83 min.
Nota: 2 ★★☆☆☆☆☆☆☆☆

A Maldição do Espelho

Há toda uma produção popular russa que não costuma sair muito do país. São filmes de fácil vendagem, que misturam fortes influências norte-americanas, seja na temática ou na forma, a universalidades de gêneros cinematográficos específicos. Alguns desses títulos ultrapassam a barreira da distribuição e chegam a outros países. O terror, juntamente com a ação, é um dos veículos preferenciais para esse trânsito de produções.

A Maldição do Espelho, no original A Rainha de Espadas: Através do Espelho, é um terror que se enquadra na safra de exportáveis e chega em versões dubladas (em português e inglês) aos cinemas. O filme é a continuação de A Dama do Espelho: O Ritual das Trevas, dirigido por Svyatoslav Podgaevskiy em 2015. Agora, quem assina a produção é o ator Aleksandr Domogarov Jr.. Se Podgaevskiy já é conhecido no gênero, tendo dirigido Sereia: Lago dos Mortos e A Noiva, ambos lançados no Brasil, esta é a estreia de Domogarov.

O filme volta mais uma vez à assustadora figura dentro do espelho. Numa abordagem diferente daquela mostrada em seu precursor, cria toda uma ambientação para justificar a história de sua antagonista. Embora seja um filme de difícil reconhecimento quando se pensa em traços de regionais e de identidade, há uma tentativa muito insistente em construir o horror. Não funciona, ainda que algumas ideias sejam promissoras.

A Maldição do Espelho cria a sua versão para o mito universal da Dama de Branco, incluindo a vertente almas por pedidos, mas tem problemas de roteiro que nem mesmo um filme de fantasmas em lenda urbana consegue contornar. E olha que ninguém espera muita elaboração deste tipo de filme, mas a figura mágica de um professor que aparece mais do que a assombração em lugares improváveis ou a má sequência de eventos comprometem bastante o resultado final.

Ainda assim, tenta criar uma mitologia particular para sua Grafinya Obolenskaya, com uma apropriação de espaço e construção narrativa, algo mais elaborado do que o apresentado pelo filme anterior. Falar de adolescentes e o colocá-los em um ambiente escolar não tem nada de original, assim como a história por trás da sede de sangue da condessa é super batida, mas há uma tentativa de construir algo elaborado que não pode ser desconsiderada. Pena que não consiga chegar muito longe e se atrapalhe com tudo aquilo que quer fazer.

Um Grande Momento:
Tem não.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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