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A Mata Negra

(A Mata Negra, BRA, 2018)
Terror
Direção: Rodrigo Aragão
Elenco: Elbert Merlin, Jackson Antunes, Carol Aragão, Francisco Gaspar, Markus Konká, Clarissa Pinheiro
Roteiro: Rodrigo Aragão
Duração: 98 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Durante muito tempo foi frequente a reclamação sobre a inexistência do terror no cinema nacional, com exceção das produções de José Mojica Marins, o notório Zé do Caixão. Na última década, no entanto, a situação mudou de figura a partir da dedicação de uma nova geração de cineastas interessados no gênero, entre eles Rodrigo Aragão.

A Mata Negra, seu quarto longa (sem contar o colaborativo As Fábulas Negras), segue a fórmula que o transformou em expoente do horror contemporâneo: comunidade isolada, muito sangue e, especialmente, muito Brasil. São coisas nossas como o preto velho, a brejeirice e o fanatismo religioso neopentecostal que dão tempero diferenciado à rasa trama sobre uma menina (Carol Aragão) cuja vida vira uma sucessão de eventos arrepiantes e traumáticos após um misterioso moribundo lhe entregar o famoso (e poderoso) Livro de Cipriano.

Arquétipo da ingênua, a protagonista se embrenha nas matas do equívoco repetidas vezes, mas preserva uma resiliência e uma expressão de incredulidade chorosa que seguram o público na sua torcida, muitas vezes rindo das desgraças, porém ao mesmo tempo cientes de seu amadurecimento errante.

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Apesar do clima de suspense da floresta cheia de segredos ser estabelecido de forma satisfatória desde o começo, é com a entrada em cena dos experientes Jackson Antunes, Francisco Gaspar e Clarissa Pinheiro que A Mata Negra fica mais encorpado, tanto em termos de atuação quanto de enredo. O núcleo da família de José (Gaspar) é praticamente uma sitcom dentro do longa, uma porteira escancarada para o humor que sempre esteve no ar, enquanto a matilha de fiéis inflamada pelo pastor (Antunes) traz o breve comentário social que conecta realidade e ficção supostamente 100% fantasiosa e insólita.

A maquiagem e os monstros são destaques absolutos do filme e o alien galinho mereceria inclusive um spin-off. Aragão, que começou com baixíssimos orçamentos, demonstra que sabe onde investir e como investir nessa fase mais abastada da carreira, de forma que A Mata Negra preserva aspectos trash especialmente no roteiro, mas tecnicamente aspira o padrão.

O longa se prende (e perde) em repetições – enterros, ovos, rituais, tentativas e erros – que parecem impedir um melhor desenvolvimento de apontamentos ou coisas mais pesadas do que banho de sangue na cara, mas diverte, segue cartilhas do gênero, homenageia clássicos, reflete sua terra e termina obrigando o público a esperar a continuação. Para uma primeira parte está bom, né?

Um Grande Momento:
O futuro candidato à presidência se revela.

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[III Mostra Sesc de Cinema]

Taiani Mendes

Crítica de cinema, escritora, poeta de quinta, roteirista e estudante de História da Arte. Também é carioca, tricolor e muito viciada em filmes e algumas séries dos anos 90/00.
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