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A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly

(True History of the Kelly Gang, AUS, GBR, 2019)

  • Gênero: Ação
  • Direção: Justin Kurzel
  • Roteiro: Shaun Grant
  • Elenco: George MacKay, Essie Davis, Nicholas Hoult, Orlando Schwerdt, Thomasin McKenzie, Sean Keenan, Earl Cave, Marlon Williams, Louis Hewison, Charlie Hunnam, Russell Crowe
  • Duração: 124 minutos
  • Nota:

Ned Kelly é considerado o maior fora da lei australiano. Descendente de irlandeses, suspeitos preferenciais da polícia quando qualquer coisa dava errada na época colonial, era uma espécie de fruto do seu meio e tornou-se mito com o tempo, já tendo sido vivido no cinema por nomes como Heath Ledger e Mick Jagger. Quem conta agora a sua história é Justin Kurzel, com o filme A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly.

Conhecido por sua habilidade na composição visual, Kurzel não decepciona e cria uma Austrália colonial impressionante aos olhos e aos sentidos, uma vez que faz questão de assumir um ritmo ágil e constante. Em belíssimos quadros, cria uma espécie de ópera punk rock para contar a brutal história de Kelly, desde a infância até sua morte.

Entre os acertos do filme está a escolha do elenco, com destaque para a excelente participação de Essie Davis como Ellen, mãe do fora da lei. Dona de suas cenas, a conexão entre ela e Orlando Schwerdt, o jovem Ned, e George MacKay, o Ned adulto, é realmente impressionante. Outra coisa que chama a atenção é o modo como Kurzel trata a questão do imigrante, algo tão datado e próprio da Austrália, mas ao mesmo tempo tão atual e global.

Depois do fracasso com a adaptação do game Assassin’s Creed, nada como voltar para casa, para uma história que conhece desde sempre, para mostrar que sabe fazer aquilo que se espera. Kurzel volta com A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly como alguém que sabe como contar uma boa história, unindo um visual apurado a uma noção de ritmo muito original.

Um Grande Momento:
A última batalha.

[43ª Mostra de São Paulo]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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