Crítica | Festival

Querência

(Querência, BRA, 2019)

  • Gênero: Drama
  • Direção: Helvécio Marins Jr.
  • Roteiro: Helvécio Marins Jr.
  • Elenco: Marcelo Di Souza, Kaic Lima, Carlos Dalmir, Márcia Rosa
  • Duração: 90 minutos
  • Nota:

Querência segue uma linha muito instigante, a de descobrir novos universos incorporando o tempo daquilo que observa. Em belas imagens e longos planos, ficcionaliza a vida de peões de boiadeiro, acessa uma realidade que muitos desconhecem e se entrega a ela. Mas tem algo descompassado nesse mergulho, algo que perdura por todo o filme.

É como se nem todas as personagens, vividas por não-atores, estivessem encaixadas no lugar que Helvécio Marins Jr. imaginou para elas. E vai além da timidez ou um certa e esperada dificuldade no lidar com a câmera por parte de alguns. Parece que o diretor nem sempre acerta o lugar para onde deve olhar ou como costurar aquilo tudo que apresenta.

Querência (2019)

Existe uma lógica de narrativa em Querência, a definição de um arco de expectativa, execução e resolução, mas as folgas no caminhar da trama transformam o conjunto – ou desconjunto – em algo pouco funcional, o que piora com o tom observacional que Marins dá à obra.

Confuso entre a vontade de criar com o real ou retratar fielmente, passagens se perdem. É interessante perceber o amor à terra, a ansiedade pelo evento vindouro, os treinamentos no boi improvisado, a elaboração das rimas, a narração do aspirante a locutor e a vivência na arena, mas é como se fossem trechos de algo assistidos aleatoriamente.

Querência (2019), de Helvécio Marins Jr.

Para completar, é difícil se interessar pelas relações estabelecidas ou se surpreender com o pós-clímax, mal executado. Sobra mesmo a fotografia inspirada de Arauco Hernández Holz e a ousadia em assumir um tempo a nós estranho e um lugar desconhecido.

Diferente de Girimunho, falta liga, falta realmente executar tudo aquilo que era esperado e que a boa história tinha a oferecer. Assim, Querência consegue saciar os olhos, mas não durar mais do que o seu tempo de exibição naqueles que o assistem. Pena. 

Um Grande Momento:
Conquistando a plateia do rodeio.

[Festival de Pré-Estreias Espaço Itaú de Cinema]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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