Crítica | Catálogo

Case Comigo

Algo errado não está certo

(Marry Me, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Comédia, Romance
  • Direção: Kat Coiro
  • Roteiro: Harper Dill, John Rogers, Tami Sagher
  • Elenco: Jennifer Lopez, Owen Wilson, John Bradley, Maluma, Sarah Silverman, Chloe Coleman, Jimmy Fallon
  • Duração: 112 minutos

A comédia romântica é um subgênero que abre espaço para muitas tentativas. Com sua fórmula prática e elementos eficientes é relativamente fácil fazer com que um resultado satisfatório seja alcançado. Obviamente, em um campo onde se vislumbre “facilidade” a produção industrializada — não é dela exatamente que falo — resulta em um número altíssimo de títulos irrelevantes e pouco ou nada inventivos. Estão aí os catálogos anuais do Hallmark que não me deixam mentir. Quando se foge da pasteurização absoluta e se busca alguma inventividade, seja temática ou de forma, mesmo seguindo alguns dogmas e padrões cristalizados, muita coisa boa pode surgir, ou não. Case Comigo é uma comédia romântica bem tradicional que quer contar uma nova história mas, mesmo respeitando todo o caminho traçado, não chega lá. 

Em algum lugar entre Letra e Música e Um Lugar Chamado Notting Hill (a audácia é real), o longa de Kat Coiro parte de uma premissa interessante: romper com os padrões estabelecidos para que relacionamentos tenham sucesso, ou pelo menos acha que faz isso. Em um mundo onde ninguém mais se conhece profundamente, realities promovem casamentos depois de conversas em casulos e basta um match para que histórias de amor comecem, uma diva do pop de coração quebrado se casar com um cara da plateia com uma placa com os dizeres “Marry Me” (“casa comigo”) durante o show não é tão original assim, mas não deixa de ter a sua graça.

Case Comigo
Universal Pictures

Case Comigo aposta boa parte de suas fichas no star power, ou seja, na força dos nomes de seu elenco. Jennifer Lopez e Owen Wilson vivem o casal que não tem nada em comum e vai trilhar o caminho esperado, ela, a cantora mundialmente conhecida e badalada; ele, o professor de matemática de vida pacata. Embora ambos sejam bastante carismáticos, alguma coisa não parece encaixar bem ali. Enquanto J-Lo parece confortável com o papel, Wilson só se encontra por vezes e nem mesmo a graça desconfiada e constrangida, uma marca do humor que ele acessa tão bem, chega de verdade. Sem falar na química entre eles. Não há conexão. A impressão é de que ele está sempre ali como uma plataforma para sua companheira de cena.

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O desacerto do casal reflete um pouco dos deslocamentos de um roteiro que durante muitos momentos tenta encontrar seu tom e seu ritmo. Embora saiba distribuir a história que conta no tempo e tenha a bagagem necessária para trazer os elementos e dispô-los onde devem estar, não envolve. Da mais pasteurizada à mais inventiva, uma comédia romântica só não pode deslizar nesse ponto, ela precisa envolver o espectador. Case Comigo patina por muito tempo e em muitas situações até que encontre uma ou, vá lá, duas passagens que causem alguma identificação e despertem esse vínculo. Em alguns momentos chega a ser constrangedor, como na tentativa de criação de intimidade na primeira visita de Kat à casa de Charlie, ou no aprofundamento do vínculo com o desafio da autonomia, entre muitos outros.

Case Comigo
Universal Pictures

É um filme que segue distanciado, ainda que nunca incômodo. Um daqueles passatempos que não ofende, mas não chega nunca a agradar verdadeiramente. Ainda assim, tem os seus momentos e conta com algumas figuras simpáticas além do casal central, como a amiga e o ajudante de Sarah Silverman e John Bradley. Para o fãs da cantora, não decepciona e traz uns clipes de Lopez cantando algumas músicas, entre elas “Love of My Life” e “On My Way”, além de “Marry Me”, em parceria com Maluma, que tem mais momentos musicais solo no filme e dá vida ao ex-namorado de Kat, Bastian.

Um grande momento
A segunda ligação de Paris

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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