Crítica | Streaming

Deep

Perdido em muitas mãos

(โปรเจกต์ลับ หลับ เป็น ตาย, THA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Suspense
  • Direção: Sita Likitvanichkul, Jetarin Ratanaserikiat, Apirak Samudkidpisan, Thanabodee Uawithya, Adirek Wattaleela
  • Roteiro: Sita Likitvanichkul, Kittitat Nokngam, Jetarin Ratanaserikiat, Apirak Samudkidpisan, Wisit Sasanatieng, Thanabodee Uawithya
  • Elenco: Supanaree Sutavijitvong, Kay Lertsittichai, Panisara Rikulsurakan, Krit Jeerapattananuwong, Warisara Jitpreedasakul, Philaiwan Khamphirathat, Kim Waddoup
  • Duração: 101 minutos

Sabe aquela boa ideia que tinha tudo para virar um bom filme de suspense, mas o combo inabilidade e vontade de inventar demais acabam transformando em algo bem menor do que descartável? O cinema está cheio de exemplares do tipo. E é triste falar assim de um filme, porque existe toda uma dedicação ali, uma vontade de se chegar a algum lugar, mas as coisas não se encaixam. Infelizmente, é o caso de Deep.

Falta liga ao conjunto desconjuntado do filme. É como se tudo estivesse sempre sempre num lugar que não deveria estar e o fato de ser uma obra de muitas pessoas — são cinco diretores assinando-a: Sita Likitvanichkul, Jetarin Ratanaserikiat, Apirak Samudkidpisan, Thanabodee Uawithya, Adirek Wattaleela –talvez explique a confusão. As antologias de ficção científica, horror e suspense já são problemáticas em suas histórias avulsas, imagina unir ideias de universos individuais em uma mesma narrativa. A chance de dar certo era remota, a de dar errado era gigantesca. E é exatamente o que acontece aqui.

Deep (2021)

O longa tailandês conta a história de quatro estudantes de medicina que sofrem de insônia e decidem participar de um experimento, onde precisam passar dias sem dormir, com sua queratina monitorada, em troca de dinheiro. Bastante artificial nas atuações, desde o quarteto principal composto por Supanaree Sutavijitvong, Kay Lertsittichai, Panisara Rikulsurakan e Krit Jeerapattananuwong até o risível médico representante da empresa vivido por Kim Waddoup, e nas escolhas estéticas, é difícil embarcar na viagem proposta.

Mas elenco, visual e trilha são problema pequeno diante de um roteiro que até tenta, mas não consegue se estruturar. O todo de Deep é mal amarrado quando parte de histórias pouco profundas de jovens vivendo uma realidade universitária que não parece se encaixar em nada em suas vidas. Cin, a que tem mais tempo de tela, não convence em sua depressiva e endividada vida de neta e irmã preocupada, e a mesma superficialidade está no luto de Win, na vida de influencer de Jane e na nerdice de Peach, o mais prejudicado dos quatro.

Deep (2021)

O mesmo se dá com os eventos, que muitas vezes parecem improvisados de tão despropositados que são. O modo como as ações vão gerando consequências e como as descobertas vão acontecendo deixam o acompanhar a trama cada vez mais difícil e nem mesmo alguns lampejos rápidos de tensão conseguem trazer incentivo ao espectador, que só vai se manter ali por não ter muito mais o que fazer. Assim como não há respeito pelos personagens, não há respeito por ele também. E é o que destrói o filme, muito mais do que toda a falta de habilidade com o visual e a inconstância das imagens.

E é uma derrocada que só termina quando os créditos começam a subir. São muitos pontos que se perdem a cada reviravolta, a cada personagem que se revela “diferente do esperado”. E Deep, que só é profundo no nome, se mostra o equívoco que um thriller médico poderia não ter sido se fizesse o seu trabalho com um pouco mais de capricho, atenção, dedicação, cuidado e algo que amarrasse tudo.

Um grande momento
Não tem

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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